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Pedagogia · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Pedagogia

Não há produção de saúde sem produção de saúde mental. Logo, é preciso levar em conta que, ao se receber cuidados em saúde, devem ser consideradas as dimensões biológica, psíquica e social dos indivíduos. Se uma criança ou um adolescente apresenta algum grau de sofrimento (com angústias, medos, conflitos intensos, por exemplo), não será possível tratar sua saúde sem considerar esse componente emocional/relacional significativo. Muitos sintomas físicos têm origem em situações de sofrimento psíquico de origens diversas (na relação com instituições, com a família e consigo mesmo, dentre outras). Na dimensão da saúde enquanto produção de uma comunidade de sujeitos responsáveis pelo cuidado de si e do outro, a questão essencial é a garantia do direito à palavra. Não há responsabilização possível sem que seja garantida a escuta daquele a quem se quer responsabilizar. (Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_psicossocial_cria ncas_adolescentes_sus.pdf. Adaptado.) Posto isso, uma política de saúde mental infanto-juvenil deve considerar algumas diretrizes. Referente a tais diretrizes, é INCORRETO afirmar que:

Gabarito: B

A política de saúde mental infanto-juvenil parte de uma ideia central: criança e adolescente não são "casos prontos" nem problemas isolados, mas sujeitos em desenvolvimento, atravessados por vínculos familiares, escola, território e contexto social. Por isso, a atenção em saúde mental precisa ser ampliada, com escuta, construção compartilhada do cuidado e articulação em rede. Em vez de olhar só o sintoma, a proposta é entender a história do sujeito e suas relações, porque muitas vezes o sofrimento aparece no corpo, no comportamento ou no rendimento escolar. Outro ponto importante é que o atendimento deve ser territorial e intersetorial. Territorial não é só mapa e endereço: inclui os vínculos, os espaços de convivência e as redes de apoio da criança ou do adolescente. Já a intersetorialidade significa juntar saúde, assistência social, educação e outros serviços para garantir cuidado contínuo. É a lógica do SUS em saúde mental, muito associada à clínica ampliada e à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A banca acerta o coração do tema quando cobra que o acolhimento deve ser universal, com escuta qualificada e identificação das necessidades de cada caso. Ou seja, a porta de entrada precisa estar aberta, mas isso não quer dizer que todo serviço resolva tudo sozinho. O cuidado pode ser encaminhado, compartilhado e acompanhado em rede. O gabarito é a letra B porque ela contradiz totalmente essa lógica. Crianças e adolescentes são sujeitos de direito, sim, mas não se pode tratá-los como responsáveis sozinhos por sua demanda e seu sintoma, nem defender abordagens homogêneas e prescritivas, já que cada caso exige escuta singular, participação da família e construção individualizada do cuidado. A política de saúde mental trabalha justamente contra esse modelo engessado.

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