No cotidiano escolar, as relações de poder podem se manifestar de diferentes formas. A compreensão deste espaço como lócus de dominação no qual os indivíduos estão submetidos a formas coercitivas de poder impõe ao professor uma ética e profissionalismo especial. Se o cotidiano escolar faz com que a escola promova a disciplinarização dos estudantes, no sentido de torná-los dóceis e, assim, produtivos, atuando como um lócus de controle total, é possível que tenhamos professores que: I. Utilizem punições diversas e humilhantes como forma de controle dos alunos, acreditando que o medo é necessário para manter a ordem e a disciplina na sala de aula, ignorando a importância do diálogo e da resolução de conflitos. II. Planejem intervir em situações de bullying e relatar destacando a importância de promover um ambiente seguro e respeitoso para todos os alunos, o que pode contribuir para a resolução dos problemas, o bem-estar e o desempenho dos alunos. III. Adotem uma postura autoritária, impondo suas opiniões e decisões sem permitir espaço para a participação ativa e a expressão das ideias dos alunos, desvalorizando a construção coletiva do conhecimento. IV. Demonstrem favoritismo em relação a alguns alunos, sobretudo os de melhor desempenho, concedendo-lhes privilégios e tratamento diferenciado, gerando desigualdade e prejudicando a igualdade de oportunidades. Está correto o que se afirma apenas em
- A)II.
Errada, porque o item II descreve uma intervenção pedagógica adequada diante do bullying, e não uma prática de dominação escolar.
- B)III e IV.
Errada, porque III e IV são condutas autoritárias e discriminatórias, mas a banca também considera o item I como incorreto e parte do conjunto problemático.
- C)I, II e III.
Errada, porque o item II não se encaixa na lógica coercitiva da questão, já que combater o bullying é uma ação ética e protetiva.
- D)I, III e IV.
Certa, porque I, III e IV representam formas de poder coercitivo na escola, com punição humilhante, autoritarismo e favoritismo.
Gabarito: D
A questão trabalha a ideia de que a escola não é um espaço neutro: nela também existem relações de poder, controle e disciplina. Quando esse poder é usado de forma coercitiva, aparecem práticas como punição humilhante, autoritarismo e favoritismo, que enfraquecem o diálogo, a participação e a igualdade de oportunidades. No plano pedagógico, isso é incompatível com uma escola democrática, prevista na LDB (Lei 9.394/1996), especialmente nos princípios de respeito, liberdade e gestão democrática. Também colide com a proteção integral do ECA, que exige ambiente escolar seguro, respeitoso e sem violência ou discriminação. Por isso, os itens I, III e IV descrevem atitudes típicas de uma lógica disciplinadora e excludente: uso do medo como controle, imposição unilateral de decisões e privilégio a certos alunos. Tudo isso reforça hierarquia e desigualdade dentro da sala de aula. Já o item II caminha no sentido oposto, porque enfrentar o bullying e promover um ambiente seguro é uma postura pedagógica adequada, preventiva e ética. Assim, o gabarito D está correto porque reúne exatamente as condutas autoritárias e discriminatórias que representam o uso abusivo do poder no cotidiano escolar.