Para Davis, Piaget acredita que existem, no desenvolvimento humano, diferentes momentos: um pensamento, uma maneira de calcular e certa conclusão podem parecer absolutamente corretos em um determinado período de desenvolvimento e absurdos num outro. As etapas de desenvolvimento do pensamento são, ao mesmo tempo, contínuas e descontínuas. Elas são contínuas porque sempre se apoiam na anterior, incorporando-a e transformando-a. E descontínuas, porque cada nova etapa não é mero prolongamento da que lhe antecedeu: transformações qualitativas radicais ocorrem no modo de pensar das crianças. As etapas de desenvolvimento encontram-se funcionalmente relacionadas dentro de um mesmo processo. (DAVIS, 1994, p. 45.) Sobre a teoria de Piaget, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)É possível, no desenvolvimento de uma criança, por exemplo, passar da etapa sensório-motora para a operatório-concreta, ignorando o estágio pré-operatório.
Errada, porque Piaget entende os estágios como uma sequência estruturada, sem pular diretamente do sensório-motor ao operatório-concreto.
- B)A dificuldade da criança de dois e três anos para abordar seus esquemas de interpretação para considerar o ponto de vista de outra pessoa caracteriza o que Piaget chamou de egocentrismo.
Certa, pois a dificuldade de considerar o ponto de vista de outra pessoa é o egocentrismo típico do período pré-operatório.
- C)Os quatro fatores responsáveis pela passagem de uma etapa de desenvolvimento mental para a seguinte são: a maturidade do sistema nervoso; a interação social; a experiência física com os objetos; e, a equilibração.
Certa, pois esses quatro fatores são apontados na teoria piagetiana como relevantes para a passagem entre estágios.
- D)A maioria das crianças de nove anos apresentam um desenvolvimento cognitivo característico da etapa denominada operatório-concreto e, ainda, não pensam em termos abstratos, nem raciocinam a respeito de proposições verbais ou hipotéticas; elas conseguem exercer suas habilidades e capacidades a partir de objetos reais e concretos.
Certa, porque no operatório-concreto a criança pensa melhor com situações reais, mas ainda não domina plenamente abstrações e hipóteses verbais.
Gabarito: A
Piaget explica o desenvolvimento cognitivo como uma sequência de etapas qualitativamente diferentes, em que a criança não vai apenas “acumulando” conhecimento, mas reorganizando a forma de pensar. Por isso, uma resposta que parece perfeita em uma idade pode soar absurda em outra: o raciocínio muda de estrutura, não só de quantidade. É a famosa ideia de que o desenvolvimento é ao mesmo tempo contínuo e descontínuo: cada fase nasce da anterior, mas traz novidades reais. Nos concursos, isso costuma aparecer com os estágios piagetianos: sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreto e operatório-formal. Em geral, a criança não “salta” etapas como quem pega atalho no corredor da escola. Ela passa por construções sucessivas, com avanços e reorganizações. Por isso, dizer que alguém pode ir do sensório-motor direto ao operatório-concreto, ignorando o pré-operatório, contraria a lógica central da teoria. Também é clássico em Piaget o egocentrismo infantil, isto é, a dificuldade da criança pequena em considerar o ponto de vista do outro. Isso é muito cobrado como traço do período pré-operatório. Já no operatório-concreto, a criança já raciocina melhor com objetos e situações reais, mas ainda não domina com tranquilidade o pensamento abstrato e hipotético. Sobre os fatores do desenvolvimento, a doutrina piagetiana aponta maturação biológica, experiência com objetos, interação social e equilibração como elementos importantes do avanço cognitivo. Então, a alternativa incorreta é a letra A, porque a teoria não admite esse “pulo” de estágio como se as fases fossem opcionais.