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Pedagogia · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Pedagogia

Analise as afirmativas correlatas e a relação proposta entre elas. I. “A utilização das palavras ‘signo’ e ‘símbolo’ é indiscriminada, tanto na linguagem coloquial quanto na científica. [...] O signo é interpretado a partir da objetividade e o símbolo a partir da subjetividade, que não é arbitrariedade. Entendemos por signo o nexo ou união entre um significante e um significado. No campo da linguística, o som ‘m-e-s-a’ leva-nos ao conceito de mesa. Assim, toda a coisa que nos leve ao conhecimento de outra é signo, por exemplo: os sinais de trânsito, a linguagem, as cores da liturgia etc.; mas há que ter em conta que, para quem não conhece a relação existente entre significante e significado, não existe signo. Assim, para quem não conhece o significado das palavras, não existem signos linguísticos. Isto supõe que o signo se apoia num código de normas que relacionam os significantes com os significados, e que, portanto, o mundo dos signos é o mundo dos conceitos, dos significados, expressos segundo as normas nos significantes.” (BORAU, José Luis Vazquez. O fenômeno religioso. V4. Lisboa: Paulus, 2008. p 10-11.) PORQUE II. “Se excetuarmos as atividades culturais ligadas diretamente à sobrevivência do indivíduo e da espécie, podemos dizer que a religião é a atividade cultural mais antiga e que existe em todas as culturas. Por quê? Porque descobrimos que somos humanos quando temos a experiência de que somos conscientes das coisas, dos outros e de nós mesmos. Se a consciência é a descoberta de nossa humanidade, se a descobrimos porque nos diferenciamos dos outros seres da natureza, graças à linguagem e ao trabalho, podemos atribuir ao fato de sermos dotados de consciência à condição e à causa primordial do surgimento da religiosidade.” (CHAUI, Marilena. Iniciação à Filosofia. Volume único. São Paulo: Ática, 2010. P. 230.) Assinale a alternativa correta.

Gabarito: D

Aqui a banca brinca com duas ideias da Filosofia e da Semiótica. A afirmativa I trata de signo: a relação entre significante e significado, isto é, entre a forma percebida e o conceito que ela evoca. Em linguagem comum e científica, isso aparece em sinais de trânsito, palavras, cores litúrgicas e tantos outros sistemas de comunicação. A afirmativa II, por sua vez, fala da religiosidade como fenômeno humano ligado à consciência, à linguagem e ao trabalho, seguindo a leitura de Marilena Chauí sobre o surgimento da humanidade como experiência consciente de si. As duas afirmações estão corretas, mas uma não prova a outra. A I discute a natureza do signo e do símbolo; a II discute a origem da religiosidade na consciência humana. São temas que podem conversar, mas não formam relação de causa e efeito direta. Por isso, o gabarito é a letra D: as duas afirmativas são verdadeiras, porém a II não justifica a I. Em prova, esse tipo de questão adora fazer você pensar: “como as duas falam de cultura e linguagem, então uma explica a outra”. Nem sempre. Às vezes elas só estão no mesmo bairro filosófico, mas em casas diferentes. Se você quiser uma memória rápida: signo é código e relação de sentido; religiosidade, em Chaui, é manifestação histórica da consciência humana. Verdadeiras, sim. Justificativa entre elas, não.

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