Como bem nos informa Soares (2004), a criança que ainda não se alfabetizou, mas já folheia livros, finge lê-los, brinca de escrever, ouve histórias que lhe são lidas, está rodeada de material escrito e percebe seu uso e função. Essa criança é ainda “analfabeta”, porque não aprendeu a ler e a escrever, mas já penetrou no mundo do letramento, já é, de certa forma, letrada.Considerando a informação dada e, ainda, um ambiente alfabetizador, podemos afirmar que está em DESACORDO com a proposta, quando o professor
- A)lê a instrução escrita de uma regra de jogo.
Correta, porque ler a instrução de uma regra de jogo dá função social à escrita e aproxima a criança de usos reais do texto.
- B)nomeia com etiquetas cada móvel e objetos da sala de aula.
Errada, porque etiquetar objetos isoladamente pode limitar a escrita a rótulos sem contexto, enfraquecendo o caráter funcional do ambiente alfabetizador.
- C)lê uma notícia de jornal de interesse das crianças na sala de aula.
Correta, porque a leitura de uma notícia em sala apresenta a escrita em situação autêntica e favorece o contato com diferentes gêneros textuais.
- D)envia um bilhete para os pais e tem a preocupação de lê- -lo para as crianças, permitindo que elas se informem sobre o seu conteúdo e intenção.
Correta, porque escrever e ler o bilhete para as crianças mostra a finalidade comunicativa da escrita e integra a turma ao evento de letramento.
Gabarito: B
A ideia de ambiente alfabetizador vem da noção de que a criança precisa conviver com a escrita em usos reais, funcionais e variados, mesmo antes de dominar a leitura e a escrita. Não basta ver letras por todo lado: é importante perceber para que a escrita serve, em que situações aparece e como ajuda na vida cotidiana. Isso conversa com a distinção clássica entre alfabetização e letramento, muito trabalhada por Soares: a criança pode ainda não decodificar, mas já participar do mundo letrado. Por isso, atividades como ler uma regra de jogo, ler uma notícia interessante ou ler um bilhete para a turma são coerentes com um ambiente alfabetizador. Elas mostram a escrita em ação, com sentido social, e permitem que a criança entenda que ler não é enfeite de parede, é comunicação. O item B é o que destoa. Nomear tudo com etiquetas pode até mostrar que existe escrita na sala, mas tende a reduzir a linguagem escrita a um uso mecânico, descontextualizado e pouco significativo. A criança vê a palavra colada no objeto, mas não necessariamente compreende a função da escrita em situações reais de comunicação. Em vez de ampliar o letramento, vira quase um inventário decorativo com letras. A proposta pedagógica mais alinhada com o tema valoriza textos circulando com sentido, e não apenas rótulos presos aos móveis.