Segundo relata Ariès (1981), a infância foi um conceito historicamente construído e a criança, por muito tempo, não foi vista como um ser em desenvolvimento, com características e necessidades próprias, e sim como um adulto em miniatura. A infância como conhecemos hoje foi uma criação de um tempo histórico e de condições socioculturais determinadas, sendo um engano ousar analisar todas as infâncias, de todas as crianças, com o mesmo enfoque. (LINS, SILVA, LINS, CARNEIRO, 2014, p. 128. Adaptado.) Em relação à criança e à infância atualmente, assinale o correto.
- A)A criança e a infância são compreendidas como categorias construídas historicamente.
Certa: afirma que criança e infância são categorias historicamente construídas, exatamente a ideia defendida no enunciado.
- B)Os cuidados com a criança são, prioritariamente, da família que deve ser a responsável por elas.
Errada: a família tem papel importante, mas a responsabilidade pela proteção da criança também é compartilhada pela sociedade e pelo Estado.
- C)Toda criança tem infância garantida e devemos nos preocupar, apenas, com seu futuro na sociedade.
Errada: nem toda criança tem uma infância plenamente garantida, e a educação não pode ignorar o presente em nome só do futuro.
- D)As políticas para a infância são uma perda de tempo, pois a criança precisa apenas brincar e se divertir.
Errada: políticas para a infância são essenciais, porque brincar é importante, mas não substitui direitos, proteção e educação de qualidade.
Gabarito: A
A ideia central da questão vem de uma leitura histórica da infância. Antes, a criança muitas vezes era vista como um "adulto em miniatura", sem reconhecimento real de suas necessidades, tempos e modos próprios de aprender e viver. Hoje, a compreensão pedagógica e social mudou bastante: a criança é sujeito de direitos, e a infância não é algo natural e igual em toda época, mas uma construção histórica e cultural. Isso significa que não existe uma única forma de viver a infância. Ela varia conforme o contexto social, econômico, cultural e histórico. Por isso, analisar todas as crianças do mesmo jeito costuma levar a conclusões apressadas e injustas, como se todas tivessem as mesmas experiências, oportunidades e proteções. O gabarito está na alternativa A porque ela expressa exatamente essa noção: criança e infância são categorias construídas historicamente. Essa visão dialoga com a doutrina da proteção integral, presente no ECA e na Constituição Federal, que reconhecem a criança como pessoa em desenvolvimento e destinatária de prioridade absoluta. Em resumo: a infância não é só uma fase biológica. Ela também depende da sociedade em que a criança vive. E, na educação infantil, isso faz toda a diferença, porque você não cuida de "mini adultos", mas de sujeitos em desenvolvimento, com direitos e especificidades próprias.