Existe uma linha muito tênue que diferencia a brincadeira do jogo. Há autores que utilizam ambas as palavras para designar o mesmo comportamento – a atividade lúdica. Entretanto, existem algumas características que podem diferenciar o jogar do brincar. Brougère e Wajskop (1997) afirmam que a brincadeira é simbólica e o jogo funcional, ou seja, enquanto a brincadeira tem a característica de ser livre e ter um fim em si mesma, o jogo inclui a presença de um objetivo final a ser alcançado: a vitória. Este objetivo final pressupõe o aparecimento de regras preestabelecidas que, geralmente, já chegam prontas às mãos da criança. As regras dos jogos têm relação íntima com as regras sociais, morais e culturais existentes. (CORDAZZO; VIEIRA, 2007, p. 92. Adaptado.) A partir da diferenciação entre jogo e brincadeira e sua forma de acontecer na educação infantil, analise as afirmativas a seguir. I. A característica social da brincadeira, de acordo com a perspectiva sociocultural, é vista como uma mola propulsora para o desenvolvimento infantil. II. Pela brincadeira, a criança, sem intencionalidade, estimula uma série de aspectos que contribuem tanto para o desenvolvimento individual do ser quanto para o social. III. A cognição e o desenvolvimento intelectual são exercitados em jogos em que a criança possa testar, principalmente, a relação causa-efeito. IV. Quando a criança está jogando com o grupo é necessária uma organização realizada pelos profissionais, porque a criança é incapaz de fazê-la. Está correto o que se afirma apenas em
- A)IV.
Errada, porque a afirmativa IV desconsidera a autonomia da criança e exagera o papel do adulto na organização do jogo.
- B)I e III.
Correta quanto às afirmativas I e III, mas incompleta, porque a II também está correta.
- C)II e IV.
Errada, porque a IV é falsa e a II também está correta, não podendo ser excluída.
- D)I, II e III.
Correta, pois I, II e III estão de acordo com a visão sociocultural da ludicidade na educação infantil.
Gabarito: D
Na educação infantil, brincar e jogar andam juntinhos, mas não são exatamente a mesma coisa. A brincadeira costuma ser mais livre, simbólica e aberta à imaginação: a criança faz de conta, inventa papéis, mistura experiências e vai aprendendo quase sem perceber. Já o jogo costuma ter regras mais definidas, objetivo claro e alguma ideia de desafio, disputa ou resultado final. Essa diferença aparece bem nas teorias sobre ludicidade, como as de Brougère e Wajskop, que ajudam a entender que a brincadeira favorece a construção social, emocional e cognitiva da criança. Em sala, isso é muito importante porque o brincar não é “tempo perdido”: ele organiza pensamento, linguagem, interação, autonomia e até a compreensão de normas sociais. Por isso, a afirmativa I está correta: a brincadeira, vista na perspectiva sociocultural, impulsiona o desenvolvimento infantil porque a criança aprende na relação com o outro e com o meio. A II também está correta, pois a brincadeira, mesmo sem uma intencionalidade consciente da criança, favorece o desenvolvimento individual e social. A III também está correta, porque nos jogos a criança exercita cognição e inteligência ao testar relações de causa e efeito, resolver problemas e lidar com regras. A IV está errada porque a criança não é incapaz de se organizar ao jogar em grupo. O papel do profissional é mediar, orientar e garantir condições adequadas, mas não substituir a autonomia infantil. Assim, o gabarito D está certo porque apenas I, II e III se confirmam.