As escolas de governo destacam-se como importantes e qualificados instrumentos de modernização da educação pública, atuando como estruturas orientadas para análise e diagnóstico organizacional e ambiental, com o objetivo de antecipar tendências de gestão, de desenvolver pesquisas, de estudar tecnologias e conceber sua adaptação às condições e especificidades do setor público, dentre outros aspectos. Sob essa perspectiva, a configuração estrutural ideal para as escolas de gestão pública deve assumir o formato de rede de cooperação em que, EXCETO:
- A)Sob o ponto de vista das pessoas, agentes facilitadores do processo de ensino e aprendizagem, sejam aproveitados os profissionais com comprovado potencial em termos de habilidades e competências em sua área de atuação.
Correta, porque valoriza profissionais com habilidades e competências comprovadas para atuar como agentes facilitadores do ensino e da aprendizagem.
- B)Sob o ponto de vista da gestão, as escolas de governo devem ser gerenciadas de forma centralizada, com um único órgão responsável por todas as atividades, mas devem ser abertas para todos os interessados em gestão pública, sejam funcionários públicos ou não.
Errada, porque a proposta de gestão centralizada e concentrada em um único órgão contraria a lógica de rede de cooperação das escolas de governo.
- C)Sob o ponto de vista da estrutura e do funcionamento, sejam eliminadas sobreposições de funções e atividades, além de difundidas as práticas excelentes de gestão, tanto das atividades-meio afetas à escola quanto ao modelo de inserção finalística (alocação eficiente de recursos).
Correta, pois defende a eliminação de sobreposições e a difusão de boas práticas, o que combina com eficiência e integração na gestão pública.
- D)Sob a ótica da atuação, sejam racionalizados os segmentos de atuação e otimizadas as áreas de abrangência, mediante o diagnóstico regional de demandas prioritárias, seguido de uma estratégia de inserção que contemple, segundo as necessidades, modelos padronizados e customizados de cursos.
Correta, já que racionaliza a atuação e ajusta a oferta de cursos às demandas regionais, com modelos padronizados e customizados conforme a necessidade.
Gabarito: B
As escolas de governo existem para formar e aperfeiçoar servidores e, em muitos casos, também para ampliar a qualificação da gestão pública com pesquisa, diagnóstico e produção de conhecimento aplicado. A lógica aqui não é a de uma estrutura engessada e solitária, mas sim de cooperação, integração e aproveitamento inteligente de recursos, como se várias peças trabalhassem juntas no mesmo tabuleiro. Na prática, isso significa evitar duplicidade de funções, compartilhar boas experiências, ajustar a oferta de cursos às demandas reais e valorizar profissionais com competência comprovada para ensinar e orientar. A ideia é atender melhor o setor público, com flexibilidade e aderência às necessidades de cada contexto. É por isso que a alternativa B está correta como exceção. Ela fala em gestão centralizada, com um único órgão responsável por todas as atividades, o que contraria a noção de rede de cooperação. Escola de governo em formato de rede pressupõe articulação entre instituições, troca de saberes e atuação descentralizada e integrada, não concentração total em uma única estrutura. Como referência normativa, a Constituição Federal, no art. 39, § 2º, prevê a manutenção de escolas de governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores, reforçando a importância da capacitação estruturada no serviço público. A doutrina sobre modernização da gestão pública também destaca a cooperação interinstitucional como caminho mais eficiente do que o isolamento administrativo.