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Pedagogia · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Pedagogia

Por bem ou por mal, a cultura é agora um dos elementos mais dinâmicos – e mais imprevisíveis – da mudança histórica no novo milênio. Não deve nos surpreender, então, que as lutas pelo poder sejam, crescentemente, simbólicas e discursivas, ao invés de tomar, simplesmente, uma forma física e compulsiva, e que as próprias políticas assumam progressivamente a feição de uma política cultural. (HALL, 1997, p. 20.) Estudiosos modernos têm destacado como as preocupações dos pesquisadores deslocam das relações entre currículo e conhecimento escolar para as relações entre currículo e cultura. É preciso entender, que nesse viés, o educador:

Gabarito: D

Essa questão trabalha a virada do debate sobre currículo: antes, muita gente via currículo quase como uma lista neutra de conteúdos e conhecimentos escolares. Hoje, porém, a teoria crítica e os estudos culturais mostram que currículo também é cultura, poder, identidade e disputa de sentidos. Ou seja, o que entra na escola, como entra e com que destaque entra nunca é inocente. O currículo seleciona, organiza e hierarquiza saberes, então ele sempre carrega escolhas e interesses. É por isso que o educador não é apenas um aplicador de conteúdos prontos. Ele participa da construção do currículo na prática, no que ensina, no que valoriza, no que silencia e até na forma como conduz as experiências de aprendizagem. Em outras palavras: a escola não recebe o currículo pronto e engessado como se fosse um pacote fechado de supermercado. Ela o reconstrói no cotidiano da sala de aula. O gabarito é a letra D porque ela traduz exatamente essa ideia: o professor tem papel fundamental na materialização do currículo nas escolas e nas salas de aula. Isso dialoga com autores como Michael Apple, Tomaz Tadeu da Silva e o próprio Stuart Hall, que mostram o currículo como campo de produção cultural e disputa política. Não é só conhecimento escolar em abstrato; é conhecimento em ação, atravessado pela cultura. Já as outras alternativas tentam empurrar a ideia de homogeneidade, moralização ou mera transmissão cultural. Isso até pode lembrar discursos tradicionais, mas não combina com a abordagem contemporânea do currículo, que é mais crítica, plural e consciente de que ensinar também é selecionar e interpretar a cultura.

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