A atividade de planejar é tão antiga quanto a história da humanidade. Assim como o homem primitivo pensava (planejava) como poderia fazer para vencer os desafios de sua vida diária, o homem contemporâneo também planeja, desde as atividades simples às mais complexas, a fim de alcançar seus objetivos. Neste sentido, Menegolla e Martins (1991, p. 15) afirmam que “A história do homem é um reflexo do seu pensar [...] O homem pensa sobre o que fez; o que deixou de fazer; sobre o que está fazendo e o que pretende fazer”. Assim, a atividade de planejar não deixa de ser uma exigência e simultaneamente uma necessidade do ser humano. A sistematização do planejamento se dá no campo econômico, mais especificamente na área de produção, mediante as Revoluções Industriais e a emergência da chamada Ciência da Administração, no fim do século XIX. No início do século XX, o planejamento, já sistematizado, vai ganhando espaço em todos os setores da sociedade e produz um forte impacto quando a União Soviética apresenta-o e utiliza-o não mais como um exemplo de organização empresarial, mas como planificação de toda economia do país. (Disponível em: https://canal.cecierj.edu.br/012016/72ffe7394f8b 75e0e0f3ece7eb2e4eb6.pdf. Adaptado.) Atualmente, pode-se identificar três linhas de planejamento administrativo: o gerenciamento da qualidade total; o planejamento estratégico; e, o planejamento participativo, que, por sua vez, tiveram e têm suas implicações na educação, pois a escola não ficou e nem fica imune aos movimentos político-econômico-sociais. Considerando o contexto educacional diante de planejamento participativo, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) A concepção do planejamento participativo está fundamentada na pedagogia progressista. ( ) O saber deixa de ser privilégio dos especialistas; a valorização da participação passa a ser considerado requisito favorável para intervir na realidade, possibilitando a sua transformação. ( ) Tem como objetivo a transformação das relações de poder, autoritárias e verticais em relações igualitárias, horizontais e dialógicas. ( ) Compete organizar as competências específicas e necessárias, para que os indivíduos se integrem na máquina do sistema social global. A escola deve atuar no aperfeiçoamento da ordem social vigente, articulando-se, diretamente, com o sistema produtivo para o mercado de trabalho. ( ) Está centrada na tendência pedagógica liberal tradicional, pois o planejamento tinha como preocupação principal, a tarefa a ser desenvolvida em sala de aula, independente da realidade; uma vez elaborado, serviria para vários anos, pois o compromisso da escola é com a cultura; os problemas sociais pertencem à sociedade. A sequência correta está em
- A)V, V, F, V, V.
Errada, porque as duas últimas afirmativas não correspondem ao planejamento participativo e uma delas descreve visão tecnicista, não progressista.
- B)F, F, V, F, V.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas são verdadeiras e a terceira também é compatível com o planejamento participativo.
- C)V, V, V, F, F.
Certa, pois as três primeiras afirmativas descrevem o planejamento participativo e as duas últimas trazem características de outras concepções pedagógicas.
- D)V, F, V, V, F.
Errada, porque a segunda afirmativa não é falsa e a sequência proposta inverte elementos centrais do planejamento participativo.
- E)F, V, F, V, F.
Errada, porque a primeira afirmativa é verdadeira e o planejamento participativo não se baseia na lógica tradicional apresentada nas demais frases.
Gabarito: C
A ideia de planejamento participativo na educação nasce bem alinhada às pedagogias progressistas, que enxergam a escola como espaço de reflexão, participação e transformação social, e não só como lugar de repetir conteúdos. Aqui, planejar não é só preencher papel bonito: é discutir a realidade, ouvir os sujeitos e decidir coletivamente o caminho da ação pedagógica. Por isso, no planejamento participativo, o saber não fica preso aos “especialistas”. Professores, gestores, estudantes e comunidade podem contribuir, porque participar também é aprender a intervir na realidade. A lógica é bem diferente daquela escola em que só uns poucos falam e os demais obedecem calados. Também faz sentido a ideia de transformar relações autoritárias e verticais em relações mais horizontais e dialógicas. Esse é um traço forte do pensamento progressista, especialmente em autores como Paulo Freire, para quem educação e diálogo caminham juntos na construção de uma prática emancipadora. Já as últimas afirmações estão erradas porque descrevem outra lógica de planejamento, mais próxima do tecnicismo e da organização funcional do sistema, com foco em adaptação ao mercado e manutenção da ordem. Assim, o gabarito C está correto: V, V, V, F, F.