Uma educação global pautada pela ética profissional associa os potenciais intelectuais, afetivos, sociais, motores e psicomotores do aprendiz, lhe dá segurança, equilíbrio, permite-lhe organizar relações com os diferentes meios em que circula. A fala que representa descompasso em relação aos princípios éticos da escola inclusiva é:
- A)“A escola e a aprendizagem, de forma geral, não se restringem à leitura, à escrita e aos cálculos.”
Está correta, porque reconhece que a aprendizagem vai além de leitura, escrita e cálculo, em sintonia com a formação integral.
- B)“Infelizmente a pessoa com deficiência demora mais a vencer as etapas que outros já venceram.”
Está errada, porque usa uma fala discriminatória e comparativa, sugerindo incapacidade ou lentidão natural da pessoa com deficiência.
- C)“Seu filho é individual e continuamente avaliado para verificarmos a eficácia do processo educativo.”
Está correta, pois valoriza a avaliação contínua e individualizada, coerente com práticas inclusivas.
- D)“Enquanto profissional, procuro colocar conteúdo científico e favorecer o aluno num contexto integral.”
Está correta, porque expressa uma postura profissional voltada ao conteúdo científico e ao desenvolvimento integral do aluno.
Gabarito: B
A escola inclusiva parte da ideia de que todo aluno aprende, cada um no seu ritmo e com suas necessidades, sem ser reduzido a rótulos. Por isso, a linguagem usada no ambiente escolar precisa respeitar a dignidade da pessoa com deficiência e evitar comparações que soem como pena, inferioridade ou atraso naturalizado. Quando a fala apresenta a deficiência como sinônimo de demora, incapacidade ou desvantagem inevitável, ela entra em choque com os princípios da inclusão. A educação inclusiva, fortalecida pela Constituição, pela LDB e pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), exige respeito, valorização das diferenças e eliminação de barreiras, não discursos que reforcem estigmas. A alternativa B está errada justamente por isso: ao dizer que a pessoa com deficiência “demora mais a vencer as etapas”, ela sugere uma visão generalizante e inferiorizante, como se a deficiência definisse um ritmo menor de aprendizagem. A escola inclusiva não trabalha com essa lógica de comparação depreciativa; ela busca apoio, acessibilidade e adaptação pedagógica para garantir participação e aprendizagem. Já as demais falas estão alinhadas com uma visão mais ampla e ética da educação, que considera o aluno em sua integralidade. Em concurso, quando a banca fala em “descompasso com os princípios éticos da escola inclusiva”, desconfie de frases que tratam a pessoa com deficiência como problema, atraso ou exceção. Inclusão não é favor: é direito.