Vygotsky (apud FREITAS, 1995 p. 93) desenvolveu estudos sobre Pensamento e Linguagem em ouvintes entre os anos de 1929 e 1934, que apresentam a relação entre o pensamento e a linguagem. Conforme o autor, “pode-se estabelecer no desenvolvimento da fala da criança uma linguagem pré-intelectual e no desenvolvimento, um pensamento pré-linguístico”. Para ele, a partir dos dois anos, a linguagem pré-intelectual e o pensamento pré-linguístico se juntam e surge nova organização linguístico-cognitiva. Em relação ao desenvolvimento da criança surda, quando há percepção de que cada coisa tem seu nome e a tentativa de aprender os signos, é correto afirmar que:
- A)Os sinais têm a função de corresponder à expressão do pensamento.
Certa: os sinais funcionam como meio de expressão e organização do pensamento, mediando o desenvolvimento cognitivo.
- B)O progresso é interrompido, já que ela é incapaz de realizar oralização.
Errada: a ausência de oralização não interrompe o desenvolvimento, porque a linguagem pode se constituir por outras formas simbólicas.
- C)O pensamento ou conceito abstrato não é atingido por meio dos sinais.
Errada: Vygotsky não limita o pensamento abstrato à fala oral; os signos também permitem formação de conceitos.
- D)As interações se realizam no nível meramente generalizante e simbólico.
Errada: a interação com sinais vai além do nível generalizante e simbólico, pois favorece a construção de significados e conceitos mais complexos.
Gabarito: A
Vygotsky ajuda a entender que linguagem e pensamento não nascem prontos, eles vão se encontrando no desenvolvimento. Primeiro, a criança pode falar sem pensar muito e pensar sem usar linguagem de forma organizada; depois, essas duas linhas se juntam e a fala vira ferramenta do pensamento. É aí que entram os signos, porque eles não servem só para nomear coisas: eles organizam a mente e permitem que a criança construa conceitos. No caso da criança surda, quando ela percebe que cada coisa pode ter um nome e começa a tentar aprender signos, ela está justamente entrando nessa relação entre linguagem e pensamento. Os sinais passam a funcionar como expressão do pensamento, isto é, como meio para representar ideias, classificar experiências e avançar na compreensão do mundo. Por isso, a alternativa A está correta: os sinais não são um enfeite externo, mas um instrumento para expressar e estruturar o pensamento. Em Vygotsky, a linguagem tem papel central no desenvolvimento das funções psicológicas superiores, e isso vale também para a criança surda, desde que ela tenha acesso a uma linguagem que permita essa mediação. As demais alternativas erram porque reduzem o desenvolvimento da criança surda à fala oral, como se a ausência de oralização bloqueasse o pensamento. Para Vygotsky, o importante é a mediação simbólica, não a modalidade oral em si.