Além do protagonismo do aluno, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) propõe a maior inserção da tecnologia no processo de ensino e aprendizagem, de forma a se aproximar dos alunos das novas gerações. Isso está presente na Competência 5 da Base Nacional Comum Curricular, que consiste em: “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”. São incontestáveis as mudanças sociais registradas nas últimas décadas. Portanto, as metodologias ativas, quando tomadas como base para o planejamento de situações de aprendizagem, poderão contribuir de forma significativa para o desenvolvimento da autonomia e motivação do estudante à medida que favorece o sentimento de pertença e de coparticipação, tendo em vista que a teorização deixa de ser o ponto de partida e passa a ser o ponto de chegada, dados os inúmeros caminhos e possibilidades que a realidade histórica e cultural dos sujeitos emana. Diante do exposto, infere-se que o professor contribui para promover a autonomia do aluno em sala de aula das seguintes formas, EXCETO:
- A)Usa linguagem informacional não controladora.
Está correta, porque linguagem informacional e não controladora favorece a sensação de escolha e fortalece a autonomia do aluno.
- B)Demanda a aprendizagem dos alunos no ritmo de todos.
Está errada, porque impor o mesmo ritmo para todos desconsidera diferenças individuais e enfraquece a autonomia e a motivação.
- C)Nutre os recursos motivacionais internos de seus alunos.
Está correta, porque nutrir os recursos motivacionais internos estimula engajamento, autorregulação e protagonismo do estudante.
- D)Reconhece e aceita as expressões de sentimentos negativos dos alunos.
Está correta, porque reconhecer e aceitar sentimentos negativos ajuda o aluno a se sentir acolhido e mais disposto a participar.
Gabarito: B
A BNCC valoriza uma escola que forme estudantes autônomos, críticos e participativos. Na Competência Geral 5, a ideia é usar tecnologias digitais de modo crítico, significativo e ético, mas isso conversa com um ensino que não trata o aluno como receptor passivo: ele participa, investiga, opina e constrói conhecimento. Em metodologias ativas, o professor sai do papel de “dono da resposta” e vira mediador do processo, criando condições para que o estudante tenha mais voz e responsabilidade pela própria aprendizagem. Para promover autonomia, o professor precisa adotar atitudes que fortalecem a motivação interna do aluno: linguagem informacional, apoio emocional, escuta e incentivo à percepção de competência. Em vez de controlar cada passo, ele orienta, acolhe e ajuda o estudante a avançar com mais segurança. Isso aparece bem na lógica da teoria da autonomia de Deci e Ryan, muito usada na educação: quanto mais o aluno sente que participa de verdade, maior tende a ser seu engajamento. O gabarito é a letra B porque ela contraria justamente essa lógica. Exigir que todos aprendam no mesmo ritmo ignora as diferenças individuais, sufoca a autonomia e tende a transformar a aprendizagem em um processo padronizado e pouco flexível. Em sala de aula, cada estudante tem seu tempo, seu repertório e suas necessidades, então impor um ritmo único dificulta a coparticipação e reduz a motivação. As demais alternativas representam condutas compatíveis com o desenvolvimento da autonomia: linguagem não controladora, incentivo aos recursos motivacionais internos e acolhimento dos sentimentos negativos ajudam o aluno a se sentir respeitado e capaz. Em resumo: autonomia não nasce de pressão igual para todo mundo, mas de mediação, escuta e espaço para o estudante agir.