A questão cultural vem sendo apontada por educadores críticos como valiosa fonte de enriquecimento para o processo de ensino na sala de aula e na escola, visto que a socialização e a humanização decorrentes dessas práticas são funções educativas básicas da escola. As práticas educativas dos professores, como diz Candau (2000), precisam ser cada vez mais plurais, articulando a igualdade e a diferença no trabalho escolar, além do intercultural, do pluralismo de vozes e ideias, dos estilos e dos sujeitos socioculturais no enriquecimento dos debates em sala. É dever da educação dar conta das diferenças, seja no âmbito escolar institucional da sala de aula, seja no âmbito mais pulverizado das diferenças individuais. Em uma perspectiva de trabalho intercultural crítico na escola, o professor deverá, EXCETO:
- A)Conhecer e respeitar a formação cultural e linguística dos alunos e comunicar-lhes a esse respeito.
Correta, porque valoriza a cultura e a língua dos alunos, o que é essencial para uma prática intercultural crítica.
- B)Criar ambiente na sala de aula propício para que os alunos se sintam valorizados e capazes de obter sucesso nos seus estudos.
Correta, pois criar um ambiente de valorização fortalece a autoestima e o pertencimento dos estudantes.
- C)Incentivar os alunos, através do programa escolar, a desenvolverem experiências e outras maneiras de pensar que lhes são pouco familiares.
Correta, já que ampliar repertórios e expor os alunos a outras formas de pensar faz parte do trabalho intercultural.
- D)Criar laços de acolhimento pessoal aos alunos, ajudando-os a aprender a cultura escolar e a da escola, desprendendo, simultaneamente, da sua identidade cultural.
Errada, porque a escola deve acolher e integrar sem exigir que o aluno abandone sua identidade cultural.
Gabarito: D
Em uma perspectiva intercultural crítica, a escola não deve tratar as diferenças como problema, nem tentar “apagar” a identidade do aluno para encaixá-lo em um modelo único. A ideia central, muito ligada a Candau, é articular igualdade e diferença: garantir o direito de aprender, mas sem desrespeitar as culturas, linguagens, valores e experiências que os estudantes trazem de casa e da comunidade. Isso deixa a sala de aula mais humana, mais rica e, sinceramente, bem mais interessante do que aquela aula em que todo mundo precisa caber na mesma caixinha. Por isso, o professor deve conhecer e valorizar a formação cultural e linguística dos alunos, criar um ambiente acolhedor e incentivar o diálogo com outras formas de pensar, inclusive as menos familiares. A escola intercultural trabalha com inclusão, reconhecimento e trocas, não com assimilação forçada. O gabarito é a letra D porque ela erra justamente nesse ponto: propõe acolher o aluno e ajudá-lo a aprender a cultura escolar, mas ao mesmo tempo sugere que ele se desprenda da sua identidade cultural. Isso contraria a perspectiva intercultural crítica, que busca ampliar repertórios sem exigir que o estudante abandone quem ele é. Em termos pedagógicos, a escola ensina a conviver com a diversidade, não a uniformizá-la. Como referência doutrinária, essa visão dialoga com os estudos de Vera Maria Candau sobre interculturalidade crítica e com a Constituição Federal de 1988, que consagra a igualdade sem apagar a pluralidade cultural do país.