As fontes históricas, entendidas como os vestígios deixados pelos seres humanos ao longo do tempo e que trazem resquícios de suas práticas particulares e de seu grupo, podem ser trazidas para a sala de aulaa partir das tecnologias. Há uma série de arquivos virtuais com seus acervos digitalizados parcialmente e que permitem o contato com fontes oficiais, fotografias ou mesmo dados imigratórios, registros estatísticos, dentre outros. Um exemplo é o arquivo da Biblioteca Nacional, em sua hemeroteca digital [https://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital], que disponibiliza diversos periódicos brasileiros gratuitamente para consulta. [...] (Disponível em: http://www.uel.br/eventos/sepech/sumarios/temas/ ensino_e_historia_o_uso_das_fontes_historicas_como_ferramentas_na_p roducao_de_conhecimento_historico.pdf.) O uso de fontes históricas não é prática totalmente nova na pedagogia das aulas de história. Nos dias atuais, com a tecnologia como elemento facilitador do acesso a essas fontes:
- A)Percebe-se a ruptura com a ordenação temporal e espacial dos conteúdos, perdendo-se a necessidade de analisar as múltiplas temporalidades de que estão imbuídas tais fontes.
Errada, porque as fontes históricas não eliminam a organização temporal e espacial, e sim exigem análise das diferentes temporalidades e contextos em que foram produzidas.
- B)Urge que se tenha a compreensão da relatividade do conhecimento histórico, fruto não de verdades definitivas, mas do olhar do historiador – sempre seletivo –, do método e das fontes.
Certa, porque reconhece que o conhecimento histórico é construído de forma relativa, a partir da interpretação do historiador, do método e das fontes disponíveis.
- C)Incorpora-se o uso de diversas linguagens de ensino, com especial atenção para o cinema, a música, a imagem e os documentos históricos, desde que isentos de qualquer ideologia.
Errada, porque as diversas linguagens de ensino podem ser usadas, mas nunca são isentas de ideologia, já que toda produção cultural carrega visões de mundo e contextos sociais.
- D)Constrói-se um consenso em torno da possibilidade de estudar toda a história da humanidade, de épocas e lugares, sem a necessidade de fazer recortes de temáticas e problemáticas específicas.
Errada, porque a História precisa de recortes temáticos e problematizações para ser estudada com profundidade; não dá para abraçar toda a humanidade de uma vez só.
Gabarito: B
As fontes históricas são os vestígios deixados pelas pessoas e pelos grupos ao longo do tempo: documentos, fotos, jornais, objetos, registros, imagens e tantos outros. Na sala de aula, elas ajudam o aluno a entender que a História não nasce pronta no livro, mas é construída a partir de evidências, perguntas e interpretações. Quando essas fontes estão digitalizadas, o acesso fica muito mais fácil e a aula ganha vida sem precisar de uma máquina do tempo de verdade. A ideia central aqui é que o uso de fontes históricas faz o aluno perceber que o conhecimento histórico não é uma verdade fechada e definitiva. Ele depende do olhar do historiador, que seleciona, compara, interpreta e problematiza os vestígios do passado. Ou seja: a fonte não fala sozinha, ela precisa ser lida com método e contextualização. Isso é bem alinhado com a historiografia contemporânea e com a didática de História voltada para a construção do pensamento histórico. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela está correta porque destaca a relatividade do conhecimento histórico, produzido a partir da relação entre olhar do historiador, método e fontes. Em sala de aula, isso é essencial para desenvolver no estudante a capacidade de análise crítica, e não apenas a memorização de datas e fatos. As demais alternativas escorregam em ideias problemáticas: como se as fontes apagassem a organização temporal, como se a linguagem visual fosse neutra, ou como se fosse possível estudar toda a História sem recortes. Na prática, História sem recorte vira um encontro cansativo até para o próprio professor.