Freire defende que o coordenador pedagógico é, primeiramente, um educador e como tal deve estar atento ao caráter pedagógico das relações de aprendizagem no interior da escola; ele leva os professores a analisarem suas práticas, resgatando a autonomia docente sem desconsiderar a importância do trabalho coletivo, agindo como um parceiro do professor. O coordenador vai transformando a prática pedagógica. Diante do exposto, pode-se afirmar que essa práxis é composta pelas seguintes dimensões: I. Reflexiva: auxilia na compreensão dos processos de aprendizagem. II. Fiscalizadora: avalia e mensura o trabalho dos diversos atores escolares. III. Conectiva: possibilita inter-relação entre professores, gestores, funcionários, pais e alunos. IV. Interventiva: modifica algumas práticas arraigadas que não traduzem mais o ideal de escola. V. Avaliativa: estabelece a necessidade de repensar o processo educativo em busca de melhorias. Estão corretas apenas as dimensões
- A)II e III.
Errada, porque II é incompatível com a perspectiva freireana e III até faz sentido, mas a alternativa fica incompleta.
- B)IV e V.
Errada, porque IV e V são dimensões coerentes com a práxis descrita, mas não são as únicas corretas.
- C)I, II e III.
Errada, porque inclui II, que traz uma ideia fiscalizadora e não dialoga com a atuação formativa do coordenador.
- D)I, III, IV e V.
Certa, porque I, III, IV e V traduzem reflexão, articulação, intervenção e avaliação crítica da prática pedagógica.
- E)II, III, IV e V.
Errada, porque repete o erro de incluir II, que não corresponde à função pedagógica e colaborativa apresentada.
Gabarito: D
Paulo Freire inspira uma visão de coordenação pedagógica ligada ao diálogo, à reflexão crítica e à transformação da prática escolar. Nessa lógica, o coordenador não é um simples conferente de tarefas, mas um educador que ajuda a turma toda a pensar o que faz, por que faz e como pode fazer melhor. Por isso, a atuação do coordenador aparece como uma práxis com várias dimensões complementares. A dimensão reflexiva ajuda a compreender os processos de aprendizagem; a conectiva aproxima os sujeitos da escola e favorece o trabalho coletivo; a interventiva rompe práticas engessadas que já não servem; e a avaliativa permite repensar o processo educativo para melhorar continuamente. A banca coloca a dimensão fiscalizadora como se o coordenador fosse um inspetor, e aí está a casca de banana. Essa ideia não combina com a perspectiva freireana, porque o foco não é vigiar e mensurar pessoas, mas orientar, mediar e construir junto. Coordenar, nesse contexto, é mais parceria do que policiamento. Assim, o gabarito D está correto porque apenas I, III, IV e V correspondem à práxis defendida no enunciado. A II fica de fora justamente por contrariar essa visão pedagógica, dialógica e formativa da coordenação.