A temática da diversidade tornou-se pauta obrigatória para os sistemas escolares nas últimas décadas. Proveniente de demandas dos movimentos sociais – em particular do Movimento Negro, desde o início do século XX, e, mais recentemente, na década de 1980, do Movimento de Trabalhadores em Educação – a diversidade foi sendo gradualmente incorporada aos currículos tanto a partir de práticas de professores que reconheceram a necessidade de atuar em prol de uma reeducação das relações raciais quanto em decorrência das imposições previstas pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que instituíram a obrigatoriedade do estudo da história e da cultura afrodescendente, africana e indígena. Apesar disso, a tarefa não tem sido realizada de forma pacífica, uma vez que a realização efetiva das mudanças que essa agenda requer implica no enfrentamento de aspectos centrais do chamado sistemamundo moderno-ocidental, o qual pressupõe a raça e o racismo como seus elementos estruturantes e constituintes. (QUIJANO, 2005.) A BNCC (Base Nacional Curricular Comum) traz em vários momentos a discussão sobre a diversidade e preconiza dentre outros aspectos relativos a essa temática:
- A)A abordagem do tema de forma a colocar em evidência o desvelamento das estruturas de poder, reivindicando currículos e práticas educativas voltadas às diferenças.
Certa, porque expressa a valorização das diferenças com crítica às estruturas de poder e defesa de currículos e práticas inclusivas.
- B)A fragmentação estrutural e definitiva dos grupos sociais diversos, através de paradigmas mais rígidos que garantam um Brasil uno, igual, livre de preconceitos e discrepâncias sociais.
Errada, porque propõe fragmentação e rigidez social, o oposto da perspectiva inclusiva e democrática da BNCC.
- C)O elogio sistemático e pedagógico às diferenças, pluralidades e diversidades visando esvaziamento e apaziguamento das diferenças exterminando, assim, qualquer conflito social.
Errada, porque trata a diversidade como algo a ser esvaziado e apaziguado, quando a BNCC busca reconhecimento real e combate ao preconceito.
- D)A urgência da apropriação, a partir do ensino, de argumentos ou bandeiras de lutas mais radicais e efetivas, para que os grupos minoritários assumam de vez o protagonismo da sociedade.
Errada, porque desloca a escola para uma lógica de militância radical, enquanto a BNCC enfatiza formação cidadã, equidade e respeito às diferenças.
Gabarito: A
A BNCC trata a diversidade como parte da formação integral e do respeito aos direitos humanos, à pluralidade cultural e à convivência democrática. Em vez de enxergar diferenças como problema, ela orienta a escola a valorizá-las no currículo, nas práticas pedagógicas e nas relações do dia a dia. Isso aparece de forma transversal em temas como diversidade cultural, direitos humanos, educação para as relações étnico-raciais e combate a preconceitos. Na prática, isso significa que a escola não deve só “falar de diversidade” em datas comemorativas. Ela precisa rever conteúdos, materiais, linguagens e atitudes para não reproduzir desigualdades. Esse olhar dialoga com a Lei nº 10.639/2003 e a Lei nº 11.645/2008, que reforçam a obrigatoriedade do अध्ययन da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena, justamente para enfrentar o racismo e o apagamento histórico. A alternativa A está correta porque traduz bem essa perspectiva: dar visibilidade às estruturas de poder, reconhecer diferenças e reivindicar currículo e práticas educativas comprometidas com a justiça social. Em outras palavras, a BNCC não quer uma diversidade decorativa; quer uma escola que pense criticamente as relações sociais e promova respeito efetivo. Já as demais alternativas tentam empurrar a ideia de homogeneização, pacificação artificial ou radicalização incompatíveis com a função pedagógica da BNCC. A base trabalha com inclusão, equidade e valorização das diferenças, não com apagamento delas.