O ensino religioso, de acordo com a sua especificidade, não deve ser confundido com nenhuma outra ciência humana, pois apresenta um grande desafio de como despertar o educando para a percepção do transcendente, sem fazer proselitismo. São considerados objetivos do ensino religioso, EXCETO:
- A)Construir referenciais que levem a uma educação mais humana e cidadã.
Está correta, pois o ensino religioso pode ajudar a construir valores humanos, éticos e de cidadania.
- B)Preparar os indivíduos para conviver com as diferenças, dialogando com as diversidades.
Está correta, porque dialogar com as diversidades e conviver com as diferenças é compatível com o caráter plural da disciplina.
- C)Contribuir significativamente para a construção do ser humano, da cidadania e da sensibilidade aos direitos de cada um.
Está correta, pois a disciplina pode colaborar para a formação integral do educando, com respeito à dignidade e aos direitos de cada um.
- D)Levar os alunos a respeitar apenas a cultura religiosa dos indivíduos, uma vez que as demais não possuem tamanha importância quanto a religiosa.
Está errada, porque o ensino religioso não deve privilegiar apenas uma cultura religiosa nem desconsiderar as demais.
Gabarito: D
O ensino religioso, na escola pública, tem caráter formativo e não pode virar catequese disfarçada. A Constituição Federal, no art. 210, §1º, prevê a disciplina no ensino fundamental, e a LDB, no art. 33, com a redação dada pela Lei 9.475/1997, deixa claro que ele deve respeitar a diversidade cultural religiosa do Brasil, sem proselitismo. Na prática, isso significa que o foco não é ensinar uma religião como se fosse a única verdade, mas favorecer o diálogo, o respeito e a compreensão das diferentes crenças e formas de pensar. É um componente que pode contribuir para a convivência democrática, para a cidadania e para a formação humana integral. Por isso, a alternativa D está errada: ela propõe respeitar apenas uma cultura religiosa e desvaloriza as demais. Isso contraria frontalmente a lógica do ensino religioso prevista na legislação, que exige pluralidade, respeito à diversidade e ausência de imposição de fé. Em concurso, quando aparecer algo com cheiro de exclusão religiosa, já acende a luz amarela. Então, entre as opções, a exceção é justamente a que fere o princípio do respeito às diferenças. Ensino religioso não é disputa de qual crença vale mais; é espaço de reconhecimento da diversidade e de formação para a convivência.