Embora não tenham recebido este nome a princípio, as metodologias ativas têm suas primeiras faíscas a partir da criação de modelos de educação que contestam os papéis tradicionais de professores e alunos. No Brasil, quem mais defendeu essa base de ensino afirmou que a superação de desafios e a construção de novos conhecimentos a partir de experiências prévias são essenciais para promover o aprendizado; para isso, criou um método de alfabetização que deveria ser “ativo, dialogal, crítico e criticizador”. Dividido em cinco etapas, esse método levava em consideração o universo vocabular do grupo com quem o professor trabalharia; elencava palavras desse universo; criava situações existenciais comuns àquele grupo e, só então, iniciava o processo de ensino-aprendizagem. Considerando as informações supracitadas, infere-se que se trata dos estudos desenvolvidos por:
- A)Paulo Freire.
Correta: Paulo Freire criou a proposta de alfabetização baseada no diálogo, na realidade do educando e nas palavras geradoras.
- B)Darcy Ribeiro.
Errada: Darcy Ribeiro foi um importante educador e antropólogo, mas não é o autor desse método de alfabetização.
- C)Magda Soares.
Errada: Magda Soares é referência em alfabetização e letramento, porém sua obra não corresponde ao método descrito.
- D)Emília Ferreiro.
Errada: Emília Ferreiro é conhecida pela psicogênese da língua escrita, e não pelo método freireano de alfabetização.
Gabarito: A
A questão aponta para um nome que é praticamente sinônimo de educação crítica e participativa no Brasil: Paulo Freire. Ele defendia que ensinar não é “depositar” conteúdo na cabeça do aluno, mas construir conhecimento a partir do diálogo, da realidade concreta e da experiência prévia de quem aprende. Isso combina diretamente com a ideia de metodologias ativas, em que o aluno deixa de ser espectador e passa a participar de verdade do processo. O enunciado descreve exatamente a proposta de alfabetização freireana: um método ativo, dialogal, crítico e criticizador, organizado em etapas que partem do universo vocabular do grupo, selecionam palavras geradoras e criam situações existenciais do cotidiano do aluno. Ou seja, primeiro vem o mundo do estudante, depois o conteúdo. Não é magia, é pedagogia com pé no chão. Paulo Freire desenvolveu essa perspectiva especialmente em experiências de alfabetização de jovens e adultos, sempre valorizando a conscientização e a leitura do mundo antes da leitura da palavra. A lógica é simples: ninguém aprende melhor quando o conteúdo chega “de cima para baixo”, sem relação com a vida real. Por isso, o gabarito é a letra A. As demais autoras e o outro autor citados são importantes na educação, mas não correspondem a esse método de alfabetização dialogal e problematizador.