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Pedagogia · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Pedagogia

Um professor do curso de odontologia de uma universidade da zona leste de São Paulo está sendo acusado de humilhar uma aluna com autismo na frente de outros colegas. A jovem teve uma crise após a discussão com o docente. Durante uma aula, o professor pediu a Eliana que apertasse sua mão. Ela então explicou que era autista e que não gostava de ser tocada. De acordo com o marido da estudante, o docente se exaltou e passou a gritar para que Eliana olhasse em seu olho. Em seguida, ele começou a perguntar qual remédio a aluna tomava e se ela tinha algum laudo para comprovar que é autista. Diante da atitude do professor, Eliana teve uma crise e começou a chorar. Ela ainda se agachou em um canto com as mãos na cabeça e se movimentou, hábito que pode ser comum em quem tem autismo e passa por algum incômodo. (Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/jovem-comautismo-acusa-professor-de-humilha-la-na-frente-dos-colegas-em-sp/.) O fato relatado tem como contexto uma universidade e uma aluna adulta, mas, é comum que aconteça uma cena habitual do dia a dia de uma escola de ensino básico. São atitudes importantes no relacionamento com o autista e que não foram observados pelo professor da reportagem: I. Ter cuidado com toques e palavras. Tentar entender como essas coisas atingem o autista, pois eles podem ser mais sensíveis ao toque do que as pessoas normalmente são. Além disso, deve ajudar a criar novas formas de comunicação. II. Agir com delicadeza, pois os autistas podem se incomodar com barulhos, confusão e quebras na rotina. Não visitar a casa de uma família com um autista sem agendar antes; mas, se desistir, o autista não se importará. Assim, deve preferir não ir. III. Ao explicar as coisas para um autista, deve-se evitar usar ironias, expressões de duplo sentido ou termos muito abstratos. Grande parte dos autistas entendem as coisas de forma muito direta e objetiva e sinais não verbais como “piscadinhas” ou gestos podem não ser óbvios para eles. IV. Estimular a interação com outros adultos e crianças. Descubrir os objetos de interesse do autista e entregá-los para que ele não necessite se esforçar para se comunicar, evitando, assim, o seu estresse. Está correto o que se afirma em

Gabarito: C

A questão trabalha uma ideia muito importante na inclusão de pessoas com autismo: a convivência respeitosa depende de comunicação clara, previsibilidade e sensibilidade ao que pode gerar desconforto. No ambiente escolar, isso vale em qualquer etapa da vida, da educação básica à universidade. O professor que ignora esses cuidados acaba criando uma situação de constrangimento e até de crise sensorial ou emocional. A afirmativa I está correta porque o trato com a pessoa autista exige cuidado com toque, tom de voz e palavras, além de busca por formas alternativas de comunicação quando necessário. Afirmativa III também está correta: explicações objetivas, sem ironia, sem duplo sentido e sem depender de pistas não verbais implícitas, costumam facilitar muito a compreensão. Isso conversa com a lógica da Lei nº 12.764/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, e com a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), que reforçam a eliminação de barreiras e a promoção da acessibilidade comunicacional. Já as afirmativas II e IV trazem ideias problemáticas. A II mistura um conselho razoável com uma conclusão preconceituosa, como se a pessoa autista "não se importasse" com mudanças de planos. A IV erra ao sugerir que basta entregar objetos de interesse para evitar o esforço de comunicação, quando o correto é estimular a interação com apoio, mediação e respeito, sem substituir a comunicação nem infantilizar a pessoa. Por isso, o gabarito é C: apenas I e III estão corretas.

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