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Pedagogia · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Pedagogia

Vasconcellos (2002, p. 86-87) descreve essas funções como definição negativa do papel: [...] não é (ou não deveria ser): não é fiscal de professor; não é dedo duro (que entrega os professores para a direção ou mantenedora); não é pombo correio (que leva recado da direção para os professores e dos professores para a direção); não é coringa/tarefeiro/quebra-galho/salva-vidas (ajudante de direção, auxiliar de secretaria, enfermeiro, assistente social etc.); não é tapa buraco (que fica “toureando” os alunos em sala de aula no caso de falta de professor); não é burocrata (que fica às voltas com relatórios e mais relatórios, gráficos, estatísticas sem sentido, mandando um monte de papéis para os professores preencherem – escola de ‘papel’); não é de gabinete (que está longe da prática e dos desafios efetivos dos educadores); não é dicário (que tem dicas e soluções para todos os problemas, uma espécie de fonte inesgotável de técnicas, receitas); não é generalista (que entende quase nada de quase tudo). Contribuem para essa descrição negativa do papel do pedagogo, EXCETO:

Gabarito: A

A questão trata da identidade e das funções do pedagogo na escola, especialmente para evitar aquela visão “tapa-buraco” ou de mero despachante de recados. Em Vasconcellos, a crítica é justamente ao profissional que perde sua especificidade e acaba sendo puxado para tarefas genéricas, burocráticas ou sem sentido pedagógico. O pedagogo, ao contrário, deve atuar com intencionalidade formativa, articulando planejamento, acompanhamento e reflexão sobre a prática escolar. Isso significa que o papel do pedagogo não é fazer tudo ao mesmo tempo e de qualquer jeito, mas sim contribuir para a organização do trabalho pedagógico e para a mediação entre os sujeitos da escola. Quando a escola tem clareza de funções, cada profissional sabe o que faz, assume responsabilidades e trabalha de forma coerente. Essa é a lógica que aparece na alternativa A. A alternativa A está correta porque aponta justamente para a definição da especificidade do trabalho e para a distinção entre competências, evitando a descaracterização do pedagogo. Ou seja, ela defende organização, coerência e responsabilidade, que são elementos compatíveis com uma atuação pedagógica consistente. As demais alternativas descrevem problemas que favorecem a confusão de papéis, a burocratização e a perda de identidade profissional. Em termos práticos, são justamente fatores que empurram o pedagogo para aquele cenário que a própria Vasconcellos critica. Em concursos, sempre desconfie quando a questão trouxer o discurso de organização do trabalho e aparecer uma opção dizendo que isso “descaracteriza” o profissional: normalmente é o contrário.

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