A organização do ensino fundamental de nove anos é um movimento mundial e, mesmo na América do Sul, são vários os países que o adotam, fato que chega até a colocar jovens brasileiros em uma situação delicada, uma vez que, para continuar seus estudos nesses países, é colocada a eles a contingência de compensar a defasagem constatada. A opção pela faixa etária dos seis aos quatorze e não dos sete aos quinze anos para o ensino fundamental de nove anos segue a tendência das famílias e dos sistemas de ensino de inserir progressivamente as crianças de 6 anos na rede escolar. A inclusão, mediante a antecipação do acesso, é uma medida contextualizada nas políticas educacionais focalizadas no ensino fundamental. A adoção de um ensino obrigatório de nove anos, iniciando aos seis anos de idade pode contribuir para uma mudança da cultura escolar. Dessa forma:
- A)A escola deve transferir para as crianças de seis anos os conteúdos e as atividades da tradicional primeira série, concebendo uma estrutura de organização dos conteúdos em um ensino fundamental de nove anos, fortalecendo o perfil das séries finais do ensino fundamental.
Errada, porque a criança de 6 anos não deve receber simplesmente os conteúdos e atividades da antiga primeira série, já que o ensino de 9 anos exige reorganização pedagógica.
- B)É fundamental que a alfabetização seja adequadamente trabalhada nessa faixa etária, considerando-se que esse processo não se inicia somente aos seis ou sete anos de idade, pois, em vários casos, inicia-se bem antes, fato bastante relacionado à presença e ao uso da língua escrita no ambiente da criança.
Certa, pois a alfabetização é um processo contínuo que pode começar antes dos 6 ou 7 anos, conforme o contato da criança com a língua escrita no seu ambiente.
- C)O objetivo de um maior número de anos de ensino obrigatório é assegurar a todas as crianças aumento do tempo de permanência na escola, aumento do poder do Estado sobre as crianças, já que é responsável pela escolarização de seus cidadãos e maior acesso aos programas de nutrição escolar do governo.
Errada, porque o objetivo principal do aumento da escolaridade obrigatória não é ampliar o poder do Estado, mas garantir mais tempo de aprendizagem e acesso à educação.
- D)É necessário cuidado na sequência do processo de desenvolvimento e aprendizagem das crianças de seis anos de idade; implica o conhecimento e a atenção que deverão se alfabetizar no fim do 1º ano escolar, e não mais aos sete anos, idade em que deverá cursar o 2º ano do ensino fundamental, pois não há reprovação nos três primeiros anos.
Errada, porque mistura de forma inadequada a lógica de progressão escolar com a afirmação de que a alfabetização deva ocorrer obrigatoriamente no fim do 1º ano, o que não é uma regra geral.
Gabarito: B
O ensino fundamental de nove anos, com ingresso aos 6 anos, foi pensado para ampliar o tempo de escolarização e, ao mesmo tempo, respeitar as características da infância. A ideia não é simplesmente “adiantar” a antiga primeira série para crianças menores, como se nada tivesse mudado. O ponto central é reorganizar o currículo e as práticas para atender melhor esse aluno que chega mais cedo à escola. Na prática, isso significa que a alfabetização precisa ser trabalhada com intencionalidade, mas sem a pressa de transformar o 1º ano numa cópia da antiga 1ª série. A criança de 6 anos já convive, em muitos casos, com a linguagem escrita antes mesmo de chegar à escola, por isso o processo alfabetizador deve considerar experiências, repertório e contato com textos do cotidiano. É justamente isso que torna a alternativa B correta: ela reconhece que a alfabetização não começa magicamente aos 6 ou 7 anos, pois pode se iniciar antes, dependendo do ambiente letrado da criança. Essa visão está alinhada às orientações do MEC para o ensino fundamental de 9 anos, que defendem a inclusão da criança de 6 anos sem antecipar de forma mecânica conteúdos e rotinas do ensino antigo. Em linguagem de concurso: ampliar o ensino fundamental não é empurrar conteúdo para baixo, e sim repensar a escola para acolher melhor a infância. Se a banca fala em mudança de cultura escolar, desconfie de propostas que apenas “rebatizam” a primeira série antiga.