Saber diagnosticar, levantar hipóteses, buscar fundamentação teórica e analisar dados são algumas das atividades que podem ajudar o trabalho do professor, quando são consideradas as exigências da realidade atual e a complexidade da atividade da docência. Nessa perspectiva, é imprescindível que o preparo específico para a pesquisa já ocorra na formação inicial. Assim como Lüdke (2001, 2006), entende-se que o contato com a pesquisa na graduação não pode se restringir apenas aos alunos de iniciação científica, tão pouco deve ser tarefa somente dos cursos de pós-graduação stricto sensu; é necessário que os alunos da licenciatura tenham oportunidade de aprender a fazer pesquisa. A pesquisa em uma abordagem qualitativa é útil e necessária para identificar e explorar os significados dos fenômenos estudados e as interações que estabelecem. Considerando as informações, em um plano de pesquisa nesta abordagem, infere-se que:
- A)Exige a comprovação de dados e teorias.
Errada, porque a pesquisa qualitativa não tem como eixo principal a comprovação rígida de dados e teorias, e sim a compreensão de significados.
- B)Tem uma proposta estruturada e formal.
Errada, porque a abordagem qualitativa é mais flexível e menos engessada do que um modelo estritamente estruturado e formal.
- C)É desenvolvida antes de o estudo ser iniciado.
Errada, porque o planejamento não fica totalmente pronto antes do estudo; ele pode ser ajustado conforme o contato com o campo e os dados.
- D)Ocorre a evolução de uma ideia com o aprendizado.
Certa, porque na pesquisa qualitativa a compreensão do fenômeno vai se construindo e se aperfeiçoando ao longo do processo de investigação.
Gabarito: D
Em pesquisa qualitativa, o foco não é sair contando tudo como se fosse planilha de supermercado. O interesse central está em compreender significados, sentidos, percepções e relações construídas pelos sujeitos no contexto em que vivem. Por isso, esse tipo de pesquisa costuma ser flexível e vai se ajustando conforme o pesquisador aprende com o campo, com os dados e com as pistas que surgem ao longo do caminho. É exatamente aí que a letra D faz sentido: em um plano de pesquisa qualitativa, a ideia pode ir se refinando e evoluindo conforme o pesquisador avança no estudo e amplia sua compreensão do fenômeno. O planejamento existe, claro, mas ele não é engessado; ele dialoga com o processo investigativo. Isso combina com a tradição apontada por Lüdke e André, que valorizam a pesquisa como prática formativa na licenciatura. As outras alternativas escorregam para uma lógica mais típica da pesquisa quantitativa ou de um modelo muito rígido de ciência. Na qualitativa, não se exige necessariamente comprovação de hipóteses como regra central, nem um formato fechado e totalmente formalizado do início ao fim. O caminho é mais interpretativo, com abertura para reorganizar perguntas, categorias e procedimentos conforme a investigação amadurece. Então, quando a questão fala em uma abordagem qualitativa e em um plano de pesquisa, pense em processo vivo, construção gradual e aprendizagem durante o estudo. Isso explica por que a ideia de evolução ao longo da pesquisa é a mais adequada.