Os jesuítas foram os principais educadores de quase todo o período colonial, atuando no Brasil, de 1549 a 1759. No contexto de uma sociedade de economia agrário-exportadora-dependente, explorada pela metrópole, a educação não era considerada um valor social importante. A tarefa educativa estava voltada para catequese e a instrução dos indígenas; entretanto, para a elite colonial, outro tipo de educação era oferecido. O plano de instrução era consubstanciado no Ratio Studiorum, cujas características eram: I. O ideal era a formação do homem universal e cristão. A educação se preocupava com o ensino de cultura geral, enciclopédico e alheio à realidade da vida de colônia. A visão era de que o homem é constituído por uma essência universal e imutável, que deve empenhar-se para atingir a perfeição, para fazer por merecer a dádiva da vida sobrenatural. II. A ação pedagógica dos jesuítas foi marcada pelas formas críticas de pensamento contra o pensamento dogmático. Privilegiava o exercício da memória e o desenvolvimento do raciocínio; dedicava atenção ao preparo dos padres-mestres, dando ênfase à formação do caráter e à formação psicológica para conhecimento de si e do aluno. III. O enfoque sobre o papel da didática, ou melhor, da metodologia de ensino, como é denominada no código pedagógico dos jesuítas, está centrado em seu caráter meramente formal, tendo por base o intelecto, o conhecimento e marcado pela visão existencialista de homem. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
Errada, porque apenas a afirmativa I está de acordo com o modelo jesuítico; II e III trazem ideias que não combinam com o Ratio Studiorum.
- B)I, apenas.
Certa, porque só a afirmativa I descreve corretamente a educação jesuítica colonial.
- C)II, apenas.
Errada, pois a II não caracteriza os jesuítas: eles não promoviam pensamento crítico contra o dogmatismo, e sim uma formação religiosa e disciplinada.
- D)III, apenas.
Errada, porque a III usa uma visão existencialista de homem que é incompatível com a pedagogia jesuítica do período.
Gabarito: B
O Ratio Studiorum foi o plano pedagógico da Companhia de Jesus e marcou a educação jesuítica no Brasil colonial. Ele tinha um perfil bem definido: formação religiosa, disciplina, estudo da cultura clássica e uma educação voltada para a elite, sem preocupação com a realidade social da colônia. Em outras palavras, era uma escola para formar o homem cristão ideal, não para transformar a sociedade local. A afirmação I descreve exatamente esse modelo: educação enciclopédica, universalista, distante da vida colonial e orientada para a perfeição moral e religiosa. É a cara do ensino jesuítico no período. Já a II está errada porque atribui aos jesuítas um pensamento crítico contra o dogmatismo, quando, na verdade, o ensino era fortemente marcado pela doutrina católica e pela autoridade da Igreja. A memória tinha papel importante, mas dentro de um método rígido e tradicional, não de contestação crítica. A III também erra feio ao falar em visão existencialista de homem, que é anacrônica para o período. O Ratio Studiorum valorizava a formação intelectual e moral, mas em moldes formais, clássicos e religiosos, não existencialistas. Por isso, o gabarito B está correto: somente a afirmativa I corresponde ao ensino jesuítico.