Do ponto de vista de Hoffmann (2001), a “relação professor e aluno, via avaliação, constitui um momento de comunicação para os dois sujeitos, em que cada um deles estará interpretando (…) e refletindo sobre o conteúdo (…), a efetivação da aprendizagem”. Para uma ação avaliativa mediadora, Hoffmann aponta alguns princípios importantes, dentre eles, EXCETO:
- A)Possibilitar discussão entre os alunos a partir de situações desencadeadoras, que façam descobertas e construam conceitos.
Correta, porque estimula a discussão, a descoberta e a construção de conceitos, características alinhadas à avaliação mediadora.
- B)Realizar várias tarefas individuais, menores e sucessivas, investigando, teoricamente, procurando entender razões para as respostas apresentadas pelos alunos.
Correta, pois propõe tarefas sucessivas e investigação das respostas dos alunos, permitindo compreender suas razões e avanços.
- C)Oportunizar aos alunos momentos de expressar suas ideias, considerando as tarefas como elementos importantes para observação das hipóteses construídas pelos alunos.
Correta, já que valoriza a expressão das ideias dos alunos e as tarefas como instrumentos de observação das hipóteses construídas.
- D)Promover tarefas e trabalhos em que os alunos interajam entre si, discutam situações-problema, levantem hipóteses a partir de vários pontos de vista, reflitam entre as diversas opiniões e encontrem uma alternativa.
Correta, porque favorece interação, debate, levantamento de hipóteses e reflexão coletiva, tudo muito compatível com a proposta de Hoffmann.
- E)Privilegiar o caráter comprobatório de uma tarefa ou etapa escolar percorrida pelos alunos, reunindo e apresentando resultados obtidos e tecendo considerações atitudinais, justificando, assim, o alcance de resultados alcançados.
Errada, pois privilegia o caráter comprobatório e classificatório da avaliação, contrariando a perspectiva mediadora defendida por Hoffmann.
Gabarito: E
Hoffmann defende uma avaliação mediadora, isto é, uma avaliação que acompanha a aprendizagem, ajuda o aluno a pensar sobre o que fez e orienta novas intervenções do professor. Em vez de servir como “carimbo” de aprovação ou reprovação, ela funciona como um diálogo: o professor observa, interpreta, devolve questões e cria situações para que o estudante avance. Por isso, aparecem como princípios dessa proposta as tarefas desafiadoras, a circulação de ideias entre os alunos, a expressão de hipóteses e a análise do percurso de aprendizagem. A avaliação, aqui, não é um evento isolado, mas um processo contínuo de observação e reflexão, bem no espírito da mediação pedagógica. A alternativa correta é a E, porque ela valoriza o caráter comprobatório, o que aponta para uma lógica classificatória, centrada em comprovar resultados já alcançados. Isso se afasta da ideia de avaliação mediadora, que busca compreender o processo, os caminhos percorridos e as possibilidades de intervenção. Em outras palavras: na visão de Hoffmann, importa menos “provar” e mais “acompanhar para fazer avançar”. Esse entendimento dialoga com a abordagem formativa da avaliação, amplamente defendida na literatura pedagógica contemporânea e também coerente com uma prática escolar voltada ao desenvolvimento, e não apenas à certificação.