← Questões de Pedagogia

Pedagogia · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Pedagogia

Para que a escola se torne inclusiva, faz-se necessário pensarmos que ela, desde sua criação, organizou-se com base em uma indiferença às diferenças. As experiências de inclusão na escola deparam-se, ainda, com o fato de que esta não é, pela sua história, em seus valores e práticas, uma estrutura inclusiva e foi, ela mesma, criadora de exclusão. Norwich apud Rodrigues apresenta uma série de dilemas que devem fazer parte do processo de mudança da escola, para que esta se torne, de fato, inclusiva. São eles: o currículo; a identificação; a relação pais-profissionais; e, o modelo de inclusão. De acordo com as informações dadas e, considerando hipoteticamente uma turma regular de uma determinada escola com alunos matriculados com Necessidades Educativas Especiais (NEE) e com deficiência mental, assinale a afirmativa INCORRETA.

Gabarito: D

Quando a escola fala em inclusão, não basta abrir a porta e sentar todo mundo na mesma sala. É preciso mexer na forma de ensinar, avaliar e organizar os apoios, porque a escola foi historicamente feita para a homogeneidade e, por isso mesmo, costuma produzir exclusão quando mantém tudo igual para alunos diferentes. Na lógica inclusiva, o estudante com deficiência ou NEE participa da turma regular, recebe apoio especializado quando necessário e aprende com adaptações de currículo, metodologias e acessibilidade. No caso da deficiência mental, isso exige olhar para as potencialidades do aluno e para os objetivos pedagógicos possíveis, e não para uma cobrança rígida de todos os conteúdos da turma como se todos aprendessem do mesmo jeito, no mesmo tempo e com o mesmo instrumento. A LDB (Lei 9.394/1996), no art. 59, assegura currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos para atender às necessidades dos alunos com deficiência, além de atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular. O gabarito é a alternativa D porque ela mistura uma ideia correta com uma conclusão errada. É verdade que o aluno com deficiência mental pode precisar de adaptações curriculares e de acessibilidade. Mas está errado exigir, ao final, avaliação individual com todos os conteúdos da matriz da turma para medir "o real grau de aprendizagem" como critério de aprovação ou reprovação. Em inclusão, a avaliação deve ser coerente com as metas individualizadas e com os apoios oferecidos, não um espelho inflexível do currículo comum. Em resumo: incluir não é padronizar com maquiagem; é ensinar com equidade. A escola inclusiva ajusta o caminho para que o aluno participe e aprenda de forma significativa, sem transformar a diferença em prova de resistência.

Continue treinando

Questões relacionadas