Para que a escola se torne inclusiva, faz-se necessário pensarmos que ela, desde sua criação, organizou-se com base em uma indiferença às diferenças. As experiências de inclusão na escola deparam-se, ainda, com o fato de que esta não é, pela sua história, em seus valores e práticas, uma estrutura inclusiva e foi, ela mesma, criadora de exclusão. Norwich apud Rodrigues apresenta uma série de dilemas que devem fazer parte do processo de mudança da escola, para que esta se torne, de fato, inclusiva. São eles: o currículo; a identificação; a relação pais-profissionais; e, o modelo de inclusão. De acordo com as informações dadas e, considerando hipoteticamente uma turma regular de uma determinada escola com alunos matriculados com Necessidades Educativas Especiais (NEE) e com deficiência mental, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Uma das sugestões metodológicas para o trabalho com alunos com NEE mentais é o sistema de tutoria por pares, no qual um aluno mais adiantado auxilia o colega que ainda está elaborando o conceito.
Certa, porque a tutoria por pares é uma estratégia inclusiva eficiente, já que favorece cooperação, mediação e aprendizagem entre colegas.
- B)Os atendimentos especializados e a escola comum deverão acontecer concomitantemente, pois um beneficia o outro. São as necessidades dos alunos que irão definir o tempo a ser destinado ao atendimento especializado e este deverá acontecer sempre em horário oposto ao das aulas do ensino regular.
Certa, pois o atendimento educacional especializado deve ocorrer de forma complementar e, em regra, no contraturno, sem substituir a escolarização comum.
- C)A prática escolar inclusiva com os alunos NEE mentais provoca, necessariamente, a cooperação entre todos os outros alunos e o reconhecimento de que ensinar uma turma é, na verdade, trabalhar com um grande grupo e com todas as possibilidades de subdividi-lo. Dessa forma, nas subdivisões de turma, os alunos com deficiência mental trabalham em qualquer grupo de colegas.
Certa, porque a inclusão promove cooperação e flexibilidade na organização dos grupos, permitindo a participação do aluno com deficiência em diferentes arranjos de trabalho.
- D)O aluno com deficiência mental só se beneficiará do ensino regular se forem feitas adaptações curriculares e de acessibilidade, embora em um trabalho de final de ano ou curso com os alunos do NEE, deva se considerar avaliações individuais contendo todos os conteúdos da matriz curricular dada aos alunos da turma, para verificar o real grau de aprendizagem, para aprovação ou não.
Errada, porque a adaptação curricular é correta, mas a exigência de avaliar todos os conteúdos da matriz da turma como critério individual de aprovação contraria a lógica inclusiva e o atendimento às necessidades do aluno.
Gabarito: D
Quando a escola fala em inclusão, não basta abrir a porta e sentar todo mundo na mesma sala. É preciso mexer na forma de ensinar, avaliar e organizar os apoios, porque a escola foi historicamente feita para a homogeneidade e, por isso mesmo, costuma produzir exclusão quando mantém tudo igual para alunos diferentes. Na lógica inclusiva, o estudante com deficiência ou NEE participa da turma regular, recebe apoio especializado quando necessário e aprende com adaptações de currículo, metodologias e acessibilidade. No caso da deficiência mental, isso exige olhar para as potencialidades do aluno e para os objetivos pedagógicos possíveis, e não para uma cobrança rígida de todos os conteúdos da turma como se todos aprendessem do mesmo jeito, no mesmo tempo e com o mesmo instrumento. A LDB (Lei 9.394/1996), no art. 59, assegura currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos para atender às necessidades dos alunos com deficiência, além de atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular. O gabarito é a alternativa D porque ela mistura uma ideia correta com uma conclusão errada. É verdade que o aluno com deficiência mental pode precisar de adaptações curriculares e de acessibilidade. Mas está errado exigir, ao final, avaliação individual com todos os conteúdos da matriz da turma para medir "o real grau de aprendizagem" como critério de aprovação ou reprovação. Em inclusão, a avaliação deve ser coerente com as metas individualizadas e com os apoios oferecidos, não um espelho inflexível do currículo comum. Em resumo: incluir não é padronizar com maquiagem; é ensinar com equidade. A escola inclusiva ajusta o caminho para que o aluno participe e aprenda de forma significativa, sem transformar a diferença em prova de resistência.