A proposta pedagógica é um convite, um desafio, uma aposta. Uma aposta, porque, sendo ou não parte de uma política pública, contém sempre um projeto político de sociedade e um conceito de cidadania, de educação e cultura. Um caminho a ser construído, que tem uma história que precisa ser contada, trazendo consigo seus valores; as dificuldades que enfrenta; os problemas que precisam ser superados; seus desejos; as suas vontades. De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, garantida a autonomia dos povos indígenas na escolha dos modos de educação de suas crianças de 0 a 5 anos de idade, as propostas pedagógicas para os povos que optarem pela educação infantil devem:
- A)Proporcionar uma relação viva com os conhecimentos, crenças, valores, concepções de mundo, bem como as memórias de seu povo.
Correta, porque a proposta pedagógica indígena deve valorizar a cultura, a memória, as crenças e os modos próprios de ser e aprender de cada povo.
- B)Reafirmar a identidade étnica, proporcionando a alfabetização em língua portuguesa como elementos de constituição das crianças.
Errada, porque reduz a identidade indígena à alfabetização em português, quando a diretriz é de respeito à língua e à cultura próprias, e não de assimilação.
- C)Dar continuidade à educação tradicional oferecida nas cidades e articular-se às práticas socioculturais de educação e cuidados coletivos da comunidade.
Errada, porque fala em continuar uma educação tradicional urbana, justamente o que a educação indígena deve evitar ao priorizar práticas socioculturais da comunidade.
- D)Deslocar o atendimento aos índios aldeados para as próprias aldeias, com proposta de calendário customizado de modo a atender às demandas de cada povo indígena.
Errada, porque a educação indígena não se resume a transferir o atendimento para aldeias com ajuste de calendário; ela exige proposta pedagógica intercultural e respeitosa da organização do povo.
Gabarito: A
A questão trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, especialmente quando falam da educação das crianças indígenas. Aqui a lógica não é “copiar” a escola urbana e enfiar um modelo pronto na aldeia. A proposta pedagógica deve respeitar a identidade de cada povo, suas línguas, crenças, memórias, valores e modos próprios de educar, porque a educação infantil indígena precisa dialogar com a cultura da comunidade. Na prática, isso significa que a escola não pode agir como se a criança indígena precisasse primeiro “virar” outra coisa para depois aprender. Pelo contrário: a educação deve partir do universo cultural da própria criança, fortalecendo sua relação com os conhecimentos e a história do povo a que pertence. Esse é o coração da alternativa A. As DCNEI, em linha com a LDB e com o direito à educação escolar indígena diferenciada, intercultural e bilíngue/multilíngue quando for o caso, determinam que as propostas pedagógicas respeitem a organização social, as práticas socioculturais, as línguas e os processos próprios de aprendizagem dos povos indígenas. Ou seja, cultura local não é enfeite: é base do projeto pedagógico. Por isso, a letra A está correta ao afirmar que a proposta deve proporcionar uma relação viva com conhecimentos, crenças, valores, concepções de mundo e memórias do povo. As demais alternativas tentam impor lógica de padronização, alfabetização antecipada ou simples adaptação administrativa, o que não traduz a orientação normativa das DCNEI.