O desafio atual está em encontrar novos modelos de organização escolar que sejam compatíveis com os avanços nos campos da ciência e da cultura, procurando caminhos que tirem, afinal, o ensino escolar das amarras estabelecidas no século XIX. Seguramente não é um trabalho fácil, mas precisa ser enfrentado, se quisermos que nossos filhos e filhas, alunos e alunas, tenham uma formação intelectual e ética de acordo com as necessidades da sociedade na qual terão de viver (e que não sabemos qual será). (Araújo, 2003, p. 72.) A proposta de ensino transversal concebida por Araújo (2003) conduz a necessidade de repensar as bases metodológicas e epistemológicas da escola. A reorganização da estrutura do ensino proposta pelo autor tem como objetivo a construção de um novo modelo de organização escolar coerente com os atuais avanços científicos e culturais. Segundo Araújo, para pôr em prática tal reorganização, a escola precisa romper com: I. A democracia nas relações escolares. II. A fragmentação radical dos conhecimentos. III. Certas hierarquias estabelecidas no currículo. IV. A visão intervencionista e mediadora do professor. V. A descontextualização entre os conteúdos científicos e os saberes populares. Está correto o que se afirma apenas em
- A)II e IV.
Errada, porque II está correta, mas IV não deve ser rompida: o professor segue com função mediadora no ensino transversal.
- B)III e IV.
Errada, porque III está correta, mas IV também não entra como algo a ser superado, já que a mediação docente continua necessária.
- C)I, IV e V.
Errada, porque I e IV não são pontos de ruptura da proposta; pelo contrário, democracia e mediação do professor são compatíveis com ela.
- D)I, III e V.
Errada, porque I não deve ser rompida e II também é um item correto, mas faltou incluir III, que também precisa ser superado.
- E)II, III e V.
Certa, porque a proposta pede romper com a fragmentação dos conteúdos, com hierarquias rígidas do currículo e com a separação entre ciência escolar e saber popular.
Gabarito: E
Araújo (2003) defende uma escola menos “engessada” e mais conectada com a vida real, superando o modelo fragmentado e compartimentalizado que herdamos do século XIX. A ideia de transversalidade é justamente fazer o conhecimento dialogar entre si e com os problemas concretos do cotidiano, em vez de ficar cada disciplina no seu quadrado, como se a escola fosse um armário de gavetas separadas. Nesse modelo, o professor não desaparece nem vira enfeite: ele continua sendo mediador e organizador das aprendizagens. Também não faz sentido romper com a democracia nas relações escolares, porque a transversalidade combina com participação, diálogo e construção coletiva do conhecimento. O que a escola precisa enfrentar, segundo essa proposta, é a fragmentação radical dos conhecimentos, as hierarquias rígidas do currículo e a distância entre os conteúdos científicos e os saberes populares. Ou seja, a escola deve aproximar ciência, cultura e experiência social, tornando o ensino mais significativo e menos artificial. Por isso, o gabarito é a letra E, porque apenas II, III e V expressam aquilo que precisa ser superado para a reorganização escolar proposta por Araújo. A lógica é bem próxima do que também aparece nos temas transversais dos PCN e nas discussões sobre interdisciplinaridade e contextualização no ensino.