As crianças passam em seu processo de alfabetização por diferentes fases/hipóteses da escrita. Determinado professor, após uma avaliação diagnóstica, encontra as seguintes situações em que a criança: I. Percebe que existe uma quantidade mínima, segundo a qual é preciso ter, no mínimo, três (ou duas) letras para que algo possa ser lido. II. Ao escrever palavras diferentes, precisa variar a quantidade e a ordem das letras que usa, assim como o próprio repertório de letras que coloca no papel. III. Preocupa-se não só em colocar uma letra para cada sílaba da palavra que está escrevendo, mas coloca letras que correspondem a sons contidos nas sílabas orais daquela palavra. IV. Começa a entender que o que a escrita nota ou registra no papel tem a ver com os pedaços sonoros das palavras, mas é preciso observar os “sonzinhos” no interior das sílabas. V. Tende a colocar, de forma rigorosa, uma letra para cada sílaba pronunciada, mas, na maior parte das vezes, usa letras que não correspondem a segmentos das sílabas orais da palavra escrita. VI. Escreve com muitos erros ortográficos, mas já seguindo o princípio de que a escrita nota, de modo exaustivo, a pauta sonora das palavras, colocando letras para cada um dos “sonzinhos” que aparecem em cada sílaba, pois acredita que a escrita é a transcrição exata da fala. Considere: PS – Pré-silábica. SSVS – Silábica sem valor sonoro. SCVS – Silábica com valor sonoro. SA – Silábica alfabética. ALF – Alfabética. Assinale, a seguir, a alternativa que apresenta coerente e respectivamente as hipóteses de escrita em relação às situações descritas.
- A)PS – PS – SCVS – SA – SSVS – ALF
Correta, pois associa cada descrição à hipótese de escrita correspondente na sequência esperada.
- B)SSVS – SCVS – PS – SA – PS – ALF
Errada, porque troca as fases iniciais e finais, invertendo descrições de pré-silábico, silábico com valor sonoro e alfabético.
- C)PS – SA – PS – SCVS – ALF – SSVS
Errada, porque distribui as hipóteses de modo incompatível com os indícios dados em cada item.
- D)ALF – PS – SCVS – SA – SSVS – PS
Errada, porque começa com alfabético e pré-silábico de forma invertida, contrariando a progressão do desenvolvimento da escrita.
- E)SA – SA – SSVS – PS – ALF – SCVS
Errada, porque mistura hipóteses silábicas e alfabéticas sem respeitar os sinais típicos de cada etapa.
Gabarito: A
A questão cobra as hipóteses de escrita da psicogênese da língua escrita, estudadas por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky. A ideia central é que a criança não “erra à toa”: ela formula hipóteses sobre como a escrita funciona e vai ajustando essas hipóteses conforme interage com textos, nomes, listas, leitura e mediação do professor. Na Educação Infantil e no ciclo de alfabetização, isso é muito cobrado em forma de descrição do comportamento da criança. No estágio pré-silábico (PS), a criança ainda não faz relação estável entre fala e escrita. Por isso, pode acreditar que existe uma quantidade mínima de letras para “parecer leitura” e também pode variar letras de modo aleatório quando quer escrever palavras diferentes. Já no silábico sem valor sonoro (SSVS), ela entende que cada sílaba pode corresponder a uma letra, mas ainda não escolhe letras com relação aos sons da palavra. Quando começa a buscar letras que tenham algum som ligado à sílaba, entra no silábico com valor sonoro (SCVS). Depois vem o silábico alfabético (SA), fase de transição em que a criança percebe que precisa olhar para os “pedaços menores” dentro da sílaba, os sonzinhos internos, mas ainda não domina completamente a escrita convencional. Por fim, no alfabético (ALF), ela já compreende o princípio alfabético e representa os fonemas, embora ainda possa cometer erros ortográficos, porque alfabetização e ortografia não são a mesma coisa. Por isso, o gabarito A está correto: I e II descrevem o PS, III corresponde ao SCVS, IV ao SA, V ao SSVS e VI ao ALF. Esse raciocínio é bem alinhado à teoria de Ferreiro e Teberosky, base clássica de alfabetização usada em concursos.