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Pedagogia · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Pedagogia

A educação em ciência enquanto área emergente do saber em estreita conexão com a ciência necessita da epistemologia para uma fundamentação da orientação, devendo ser, ainda, um referencial seguro para uma mais adequada construção das suas análises. A epistemologia, ao pretender saber das características do que é ou não é específico da cientificidade e tendo como objeto de estudo a reflexão sobre a produção da ciência, sobre os seus fundamentos e métodos, sobre o seu crescimento, sobre os contextos de descoberta, não constitui uma construção racional isolada. [...] o conhecimento de epistemologia torna os professores capazes de melhor compreender qual ciência estão a ensinar, ajuda-os na preparação e na orientação, bem como dar às suas aulas um significado mais claro e credível às suas propostas. Tal conhecimento ajuda, e também obriga, os professores a explicitarem os seus pontos de vista, designadamente sobre quais as teses epistemológicas subjacentes à construção do conhecimento científico, sobre o papel da teoria, da sua relação com a observação, da hipótese, da experimentação, sobre o método e, ainda, aspectos ligados à validade e legitimidade dos seus resultados, sobre o papel da comunidade científica e suas relações com a sociedade. (Fernández, 2000; Gil-Pérez et al., 2001. Disponível em: htts://docplayer.com.br/49116310-A-necessaria-renovacao-do-ensino-das-ciencias.html. Adaptado.) Considerando os dois grandes ramos da “árvore epistemológica”, as epistemologias empiristas e racionalistas em suas muitas e variadas matizes (clássicas e contemporâneas), assinale o atributo da tendência racionalista na construção do conhecimento científico.

Gabarito: D

A questão contrasta duas grandes formas de entender como a ciência se constrói: a empirista, mais ligada à observação e à experiência, e a racionalista, que valoriza a teoria, a crítica e a reformulação de ideias. Em concursos, isso costuma aparecer como um jeito de separar a ciência que vai “juntando peças” daquela que avança ao questionar as peças antigas e montar um novo desenho. Na visão racionalista, o conhecimento científico não nasce simplesmente da soma de fatos observados. Ele avança quando uma teoria encontra limites, gera problemas e precisa ser revista, superada ou reconstruída. Ou seja: primeiro surge uma explicação provisória, depois aparecem situações que ela não dá conta, e então a ciência se move por crítica, hipótese nova e reorganização do pensamento. Por isso, o item D está correto. Ele descreve exatamente esse movimento: a ciência nasce da crítica e da reformulação de hipóteses, partindo de situações ainda não explicadas pela teoria. Essa é a cara da matriz racionalista, muito associada à ideia de ruptura, revisão conceitual e papel central da teoria no conhecimento científico. Já as alternativas que falam em acumulação, justaposição de conhecimentos, verdades absolutas ou valorização isolada da observação apontam para outra lógica, mais próxima do empirismo ingênuo ou de uma visão excessivamente linear da ciência. Em termos doutrinários, isso conversa com as discussões da epistemologia da ciência presentes em autores como Bachelard, Popper e Kuhn, muito usados para mostrar que a ciência não anda só pela soma de dados, mas também por crítica e superação de paradigmas.

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