[...] Os reformistas da educação Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Fernando de Azevedo e outros instituíram o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. A renovação educacional no início da Segunda República estava alicerçada nas teorias psicológicas de Lourenço Filho, na contribuição sociológica de Fernando de Azevedo e no pensamento filosófico e político de Anísio Teixeira. (SANDER, 2007, p. 28.) Sobre o documento do Manifesto dos Pioneiros da Educação, assinale a afirmativa correta.
- A)Tratava-se de uma escolha explícita do referencial didático de Comenius.
Errada, porque o Manifesto dos Pioneiros não foi uma adesão ao referencial de Comenius, mas sim uma proposta de renovação da escola brasileira com base na Escola Nova.
- B)Propunha um retorno aos estudos de latim e grego no curso secundário, sob a inspiração do Ratio Studiorum dos jesuítas.
Errada, porque não defendia retorno ao latim e ao grego nem à lógica do Ratio Studiorum jesuítico; ao contrário, criticava o ensino tradicional e livresco.
- C)Enaltecia o exercício dos direitos dos cidadãos brasileiros no que se refere à educação, tais como educação pública, escola única, laicidade, gratuidade e obrigatoriedade da educação.
Certa, porque o Manifesto defendia educação pública, escola única, laicidade, gratuidade e obrigatoriedade como direitos dos cidadãos e dever do Estado.
- D)Propunha mudanças nos ensinos primário (de 7 a 13 anos) e secundário (de 13 a 15 anos) do Distrito Federal, priorizando disciplinas científicas como matemática e física, em detrimentos das humanas, que eram o foco das escolas de primeiras letras, criadas desde o Império.
Errada, porque mistura dados de reformas curriculares e de organização escolar que não representam o conteúdo central do Manifesto dos Pioneiros.
Gabarito: C
O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, foi um marco da defesa de uma escola pública moderna no Brasil. Ele surgiu em um momento em que vários educadores queriam romper com um ensino elitista, fragmentado e muito ligado a interesses confessionais ou aristocráticos. A ideia central do documento era tratar a educação como direito de todos e dever do Estado. Por isso, ele defendia uma escola pública, única, laica, gratuita e obrigatória, com organização mais racional e democrática. Em outras palavras: menos privilégio para poucos e mais acesso para todo mundo. É exatamente por isso que a alternativa C está correta. Ela resume os pontos mais famosos do Manifesto: valorização da educação pública e dos direitos do cidadão à escolarização, com laicidade, gratuidade e obrigatoriedade. Esse discurso combina com a renovação educacional da Segunda República e com a atuação de Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo e Lourenço Filho. As demais alternativas tentam puxar a questão para modelos antigos, como Comenius, os jesuítas ou reformas específicas do ensino secundário, mas isso não é a marca do Manifesto. Aqui, o foco é a escola moderna, democrática e voltada para a formação integral do cidadão.