Os conceitos, os princípios e as direções expressas na teoria de desenvolvimento de Henri Wallon são instrumentos que nos auxiliam na compreensão do processo de constituição da pessoa, no movimento que vai do bebê ao adulto de sua espécie, conforme os modelos que a cultura de seu tempo disponibiliza. À luz desta teoria, no processo de desenvolvimento, os princípios que regulam os recursos de aprendizagem são os mesmos para a criança e para o adulto; porém, com tempos e aberturas diferentes. Considerando os princípios da teoria Walloniana, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)Ensino-aprendizagem: uma dificuldade de aprendizagem é também um problema de ensino.
Correta: para Wallon, dificuldade de aprendizagem também pode indicar problemas na forma de ensinar e na relação pedagógica.
- B)Situações conflitivas: a qualidade da relação é revelada pela forma como os conflitos são resolvidos.
Correta: os conflitos revelam a qualidade da relação e fazem parte do processo de desenvolvimento.
- C)Desenvolvimento de conjuntos funcionais: em cada estágio tem-se uma pessoa completa, com possibilidades e limitações próprias.
Correta: nos estágios wallonianos, cada fase forma uma unidade própria, com possibilidades e limites específicos.
- D)Imitação: mantém uma relação dialética com o processo de oposição; é instrumento poderoso e aprendizagem para a criança, bem como para o adulto.
Correta: a imitação é um recurso importante de aprendizagem e se articula dialeticamente com a oposição.
- E)Da diferenciação para o sincretismo: o início de qualquer aprendizagem nova caracteriza-se pela diferenciação, passando gradativamente para o sincretismo.
Errada: Wallon entende que o início da aprendizagem nova é mais sincrético e global, e a diferenciação surge gradualmente.
Gabarito: E
Henri Wallon entende o desenvolvimento humano como um processo integrado, em que afetividade, movimento, inteligência e socialização se alternam e se influenciam o tempo todo. Não é uma linha reta bonitinha e previsível: a criança avança, entra em conflito, reorganiza-se e segue em frente. Por isso, na visão walloniana, aprender não é só “receber conteúdo”, mas viver relações, superar tensões e construir-se como pessoa em interação com o meio. Um ponto muito cobrado é que a aprendizagem depende tanto das condições do ensino quanto das condições do sujeito. Então, se há dificuldade de aprendizagem, a teoria de Wallon ajuda a enxergar também o lado pedagógico do problema, e não apenas um suposto “defeito” do aluno. Outro destaque é que os conflitos não são o inimigo: eles fazem parte do desenvolvimento e revelam a qualidade das relações, especialmente quando a criança começa a se diferenciar do outro. A alternativa E está incorreta porque inverte a lógica do processo de aprendizagem. Em Wallon, o começo de uma aprendizagem nova tende a aparecer de forma mais global, confusa e sincrética, e não já marcada pela diferenciação plena. A diferenciação vai se construindo aos poucos, conforme a pessoa organiza melhor suas respostas e representações. A banca explora muito essa leitura do desenvolvimento como algo dinâmico, relacional e marcado por estágios. Então, quando aparecer Wallon, pense em pessoa integral, conflito como motor e aprendizagem ligada ao contexto. Aqui, o erro da questão foi trocar a sequência do processo cognitivo: ela apresentou a diferenciação como ponto de partida, mas em Wallon a aprendizagem começa mais difusa e vai se tornando diferenciada.