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Pedagogia · CONSULPLAN · 2022

Questão comentada de Pedagogia

Vivemos em um país multicultural, onde há uma mistura de etnias, cada uma com seus costumes, seus valores e seu modo de vida. Dessa mistura é que surge um indivíduo que não é branco nem índio, que tampouco é negro, mas que é simplesmente brasileiro. Filhos desse hibridismo e tendo como característica marcante o fato de abrigar diversas culturas, nós, brasileiros, deveríamos lidar facilmente com as diferenças. Mas não é exatamente isso que ocorre, já que o preconceito está presente na nossa sociedade. Leia atentamente o texto a seguir: A gente olha, mas não vê, a gente vê, mas não percebe, a gente percebe, mas não sente, a gente sente, mas não ama e, se a gente não ama a criança, a vida que ela representa, as infinitas possibilidades de manifestação dessa vida que ela traz, a gente não investe nessa vida, e se a gente não investe nessa vida, a gente não educa, e se a gente não educa no espaço/ tempo de educar, a gente mata, ou melhor, a gente não educa para a vida, a gente educa para a morte das infinitas possibilidades. A gente educa (se é que se pode dizer assim) para uma morte em vida: a invisibilidade. (Trindade e Santos.) Analisando o conceito de invisibilidade apresentada pelo autor, é correto afirmar: I. A escola, a partir dos professores e da prática pedagógica que adotar, tem nas mãos o poder da transformação ou da destruição. II. Ao buscar a heterogeneidade no espaço de vivências e aprendizagens onde as diferenças se cruzam, o professor pode matar os sonhos e a vontade de aprender da criança. III. O reconhecimento da igualdade é ponto de partida para que se possa conviver em harmonia, não com os diferentes, já que a diferença somente deve existir do ponto de vista legal, mas não do ponto de vista humano e social. Está correto o que se afirma apenas em

Gabarito: A

A ideia central do texto é a de "invisibilidade" na escola: quando a criança não é percebida em sua humanidade, em sua cultura, em sua história e em suas possibilidades, ela deixa de ser reconhecida como sujeito de aprendizagem. Em outras palavras, a escola pode virar um espaço de acolhimento e desenvolvimento, ou pode, pela prática pedagógica, apagar o aluno aos poucos. Isso conversa muito com temas como respeito à diversidade, inclusão e enfrentamento do preconceito. No contexto educacional, o professor não é só transmissor de conteúdo. Ele interfere diretamente na forma como o aluno se vê e como se sente dentro da escola. Se a prática docente valoriza as diferenças e cria vínculos, a criança se fortalece; se ignora, rotula ou exclui, ela pode se sentir invisível e desmotivada. É por isso que a escola tem poder de transformação, algo bem coerente com a LDB (Lei 9.394/1996), que prevê o respeito à liberdade, ao apreço à tolerância e à valorização da diversidade. Por isso, a afirmativa I está correta: a escola, por meio dos professores e da prática pedagógica, pode transformar ou destruir trajetórias. Já as afirmativas II e III distorcem a mensagem do texto. A II atribui ao professor o papel de matar sonhos ao buscar a heterogeneidade, quando justamente a heterogeneidade deve ser reconhecida como riqueza. A III também erra ao sugerir que a diferença só existe no plano legal, porque a diversidade humana e social é real e deve ser valorizada no cotidiano escolar. Então, o gabarito A se explica porque apenas a afirmativa I traduz corretamente a noção de invisibilidade apresentada no texto, ligada ao cuidado pedagógico, ao reconhecimento do aluno e à responsabilidade da escola na formação humana.

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