O contexto atual, dentro da perspectiva vigente para a educação bilíngue, entende o aprendiz surdo como cidadão, reconhecendo sua força produtiva. Assinale a crença que corrobora o contexto e as perspectivas da educação bilíngue inclusiva atualmente proposta.
- A)O surdo deve ser educado através de sua língua materna porque cada língua tem características próprias.
Certa, porque reconhece a língua materna do surdo como base da escolarização, alinhada ao modelo bilíngue e ao reconhecimento legal da Libras.
- B)A estimulação auditiva possibilita a aprendizagem da língua portuguesa e a integração do surdo na comunidade.
Errada, pois reduz a aprendizagem à estimulação auditiva e à integração pela oralização, fugindo da perspectiva bilíngue.
- C)A surdez é uma condição clínica; portanto, estratégias terapêuticas devem nortear as opções pedagógicas.
Errada, porque trata a surdez como questão clínica e coloca estratégias terapêuticas acima das pedagógicas, o que não é a orientação atual.
- D)O processo de comunicação dos surdos só se efetiva quando fala, leitura labial, sinal e alfabeto manual são ensinados.
Errada, pois pressupõe que a comunicação só se efetiva com um pacote oralista de recursos, desconsiderando a centralidade da Libras.
Gabarito: A
Na educação bilíngue voltada ao aluno surdo, a ideia central é respeitar a língua que organiza melhor sua experiência de mundo: a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Isso muda bastante a lógica antiga, que tentava “corrigir” a surdez pela fala a qualquer custo. Hoje, a visão é de inclusão com identidade linguística, e não de simples adaptação clínica. Por isso, faz sentido dizer que o surdo deve ser educado por meio de sua língua materna. Na prática, para muitos surdos, a Libras cumpre esse papel de primeira língua, enquanto o português entra como segunda língua, sobretudo na modalidade escrita. Essa é a base do modelo bilíngue previsto na Lei de Libras (Lei 10.436/2002), no Decreto 5.626/2005 e reforçado pela LDB após a Lei 14.191/2021, que reconhece a educação bilíngue de surdos. A banca quer que voce enxergue o foco pedagógico correto: não é tratar a surdez como falta, mas como diferença linguística e cultural. Se a comunicação do aluno é construída em sinais, a escola precisa partir daí para garantir aprendizagem real, participação e autonomia. É o famoso: primeiro voce entende a língua do estudante, depois ensina o conteúdo, e não o contrário. Assim, a alternativa correta é a que valoriza a língua materna do surdo, porque cada língua tem sua estrutura própria e deve ser o ponto de partida do processo educativo. As demais opções retomam uma visão oralista ou clínico-terapêutica, que não corresponde à perspectiva bilíngue inclusiva atual.