Considerando que ao longo do percurso histórico da Educação de Jovens e Adultos (EJA) tanto já se construiu e, sinalizando as contribuições de Paulo Freire – herança, princípios políticos e pedagógicos que podem guiar as práticas curriculares para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), analise as afirmativas a seguir. I. Não se faz EJA pensando na formação e ampliação cultural dos sujeitos. II. Não se faz EJA próxima da realidade de vida e de mundo dos educandos (ser no mundo e do mundo). III. Não se pensa EJA apenas ou centrado no “b a ba”; se pensa EJA da alfabetização à conscientização; se pensa EJA como formação humana. IV. Não se pode pensar EJA sem oportunizar o protagonismo dos sujeitos, sem pensar a modalidade como particularidade específica, com suas cores e notas para ser uma educação autêntica. Está correto o que se afirma apenas em
- A)I e II.
Errada, porque I e II negam princípios centrais da EJA, como valorização cultural e vínculo com a realidade do educando.
- B)I e III.
Errada, porque a afirmativa I contraria a finalidade formativa da EJA, enquanto a III está correta.
- C)II e IV.
Errada, porque a afirmativa II está incorreta ao afastar a EJA da realidade do sujeito, embora a IV esteja correta.
- D)III e IV.
Certa, porque III e IV refletem a visão freireana de alfabetização com consciência crítica e valorização do protagonismo dos educandos.
- E)II, III e IV.
Errada, porque inclui a afirmativa II, que contraria a proposta da EJA de partir da experiência e do mundo vivido pelo estudante.
Gabarito: D
A Educação de Jovens e Adultos (EJA), na leitura inspirada em Paulo Freire, não é uma educação “menor” nem reduzida ao ato mecânico de juntar sílabas. Ela precisa respeitar a experiência de vida do estudante, sua realidade social, sua cultura e sua condição de sujeito histórico. Por isso, a EJA deve caminhar da alfabetização para a conscientização, promovendo formação humana, leitura crítica do mundo e protagonismo dos educandos. Isso conversa com a LDB, que garante a educação como direito de todos e com a finalidade de pleno desenvolvimento da pessoa, além das diretrizes da EJA, que valorizam saberes, trajetórias e contextos dos estudantes. Na questão, a afirmativa III está correta porque traduz exatamente essa visão freireana: a EJA não pode ficar presa ao “b a ba”; precisa ir da alfabetização à consciência crítica e à formação integral. A afirmativa IV também está correta porque a modalidade deve reconhecer os sujeitos da EJA como protagonistas, com identidade própria, e não como meros repetentes de uma escolarização atrasada. Em outras palavras, EJA não é “qualquer aula para adultos”, mas uma proposta específica, com sentidos, tempos e sujeitos próprios. Já as afirmativas I e II estão erradas porque negam elementos centrais da EJA: formação e ampliação cultural, e a aproximação com a realidade de vida do educando. Para Paulo Freire, ensinar exige respeito aos saberes dos educandos e leitura do contexto concreto. Se a escola ignora isso, a EJA perde justamente sua força transformadora. Por isso, o gabarito correto é D, pois apenas as afirmativas III e IV estão de acordo com a concepção pedagógica e política da EJA.