As matérias são colocadas à disposição do aluno, mas não são exigidas. São um instrumento a mais, porque importante é o conhecimento que resulta das experiências vividas pelo grupo, especialmente a vivência dos mecanismos de participação crítica. Os conteúdos propriamente ditos são os que resultam das necessidade e interesses manifestos pelo grupo e que não são, necessária e nem indispensavelmente, as matérias de estudo. Tal conceito acerca dos conteúdos de ensino é relativo à tendência pedagógica:
- A)Progressista Libertária.
Correta, porque privilegia a experiência do grupo, a participação crítica e trata as matérias como apoio, e não como centro do ensino.
- B)Progressista Libertadora.
Errada, porque a progressista libertadora foca na conscientização e no diálogo sobre a realidade, não na autogestão grupal descrita no enunciado.
- C)Crítico-Social dos Conteúdos.
Errada, porque a crítico-social dos conteúdos valoriza fortemente os conteúdos sistematizados como instrumento de acesso ao saber elaborado.
- D)Liberal Renovada Não Diretiva.
Errada, porque a liberal renovada não diretiva enfatiza o desenvolvimento pessoal e a relação afetiva, não a construção coletiva de conteúdos pelo grupo.
Gabarito: A
A ideia central da tendência progressista libertária é bem característica: a escola não fica girando em torno de matérias “engessadas” e obrigatórias, mas das experiências vividas pelo grupo. O conteúdo nasce da prática, da participação e da convivência, porque o foco está em formar sujeitos críticos e atuantes, não em acumular lista de assuntos decorados. Por isso o enunciado acerta em cheio quando diz que as matérias são apenas um apoio, algo disponível, mas não imposto. O mais importante é o conhecimento construído nas relações do grupo, especialmente na vivência democrática e na participação crítica. Em outras palavras: primeiro vem a experiência, depois o conteúdo se organiza a partir dela. Essa visão é típica da pedagogia libertária, muito associada à autogestão, à cooperação e à aprendizagem coletiva. Na doutrina pedagógica, ela aparece como uma crítica à escola tradicional e ao ensino centrado no professor e no programa fixo. O conteúdo deixa de ser o “chefe da sala” e vira coadjuvante do processo. Já a progressista libertadora, ligada a Paulo Freire, também valoriza a conscientização e a realidade do aluno, mas trabalha mais com a relação dialógica e a leitura crítica do mundo do que com a ideia de autogestão grupal. Aqui, o texto descreve com mais precisão a libertária, que é exatamente o gabarito A.