Para aqueles que superam as resistências iniciais, a obra de Wallon adquire um apelo especial: a possibilidade de integrar a ciência psicológica e uma concepção epistemológica dialética e derivar dela uma pedagogia politicamente comprometida. (DANTAS, H. Afetividade e a construção do sujeito na psicogenética de Wallon. In: LA TAILLE, Y., DANTAS, H., OLIVEIRA, M. K. Piaget, Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus Editorial, 1992.) Baseando-se em Wallon a respeito da criança e seu desenvolvimento, é INCORRETO afirmar que:
- A)Não estuda a criança como um ser fragmentado, mas como um ser completo e constituinte do meio sociocultural em que vive.
Correta, porque Wallon não fragmenta a criança e a entende em interação com o meio sociocultural.
- B)A emoção, o ato motor e a inteligência são campos funcionais que, no início da vida da criança, são indiferenciados e imaturos.
Correta, pois emoção, motricidade e inteligência aparecem inicialmente misturadas e pouco diferenciadas.
- C)Ressalta que o ser humano é psiquismo antes de ser organismo; por isso, a maturação orgânica é dispensável para a evolução funcional.
Errada, porque Wallon não dispensa a maturação orgânica; ele defende a articulação entre corpo, psiquismo e ambiente.
- D)Considera a “evolução dialética da personalidade” como uma construção progressiva, onde se realiza a integração da duas principais funções: a afetividade e a inteligência.
Correta, já que Wallon entende a personalidade como construção dialética, integrando afetividade e inteligência.
Gabarito: C
Henri Wallon é um autor muito cobrado porque olha a criança de forma integral: corpo, emoção, inteligência e meio social andando juntos, sem separar tudo em caixinhas. Para ele, o desenvolvimento acontece em uma relação contínua entre o biológico e o social, com forte peso da afetividade e do movimento desde cedo. A ideia central é que a criança não nasce pronta e nem se desenvolve apenas por “maturação natural”. Existe base orgânica, sim, mas ela não é dispensável. Ao contrário, a evolução das funções psicológicas depende dessa base e também das relações com o ambiente, especialmente com as outras pessoas. Por isso, quando a questão diz que o ser humano é psiquismo antes de ser organismo e que a maturação orgânica pode ser dispensada, ela exagera e distorce Wallon. Ele valoriza a unidade entre organismo e psiquismo, e não uma supremacia do mental sobre o corporal. Então, o erro da alternativa C está justamente aí: em Wallon, a maturação orgânica participa do desenvolvimento, mesmo não sendo o único fator. As demais alternativas combinam com a visão walloniana de desenvolvimento integral, afetividade e construção dialética da personalidade.