No paradigma da inclusão, impulsionaram-se projetos de mudanças nas políticas públicas brasileiras, ao se conceber que todos se beneficiam quando as escolas promovem respostas às diferenças individuais dos estudantes. Assinale a alternativa que apresenta a perspectiva atual da educação inclusiva no Brasil.
- A)Integração escolar, as pessoas com deficiência na mesma instituição de ensino que as pessoas sem deficiência, em “classes especiais”, o que pressupõe a educação especial como modalidade de ensino substitutiva do processo de escolarização destes alunos.
Errada, porque fala em classes especiais e em educação especial como substitutiva da escolarização, o que contraria a perspectiva inclusiva atual.
- B)Deve ser substitutiva do processo de escolarização das pessoas historicamente marginalizadas da escola comum. Seja pela homogeneização, seja pela normalização sem a preocupação político-pedagógica de incluir a pauta da educação especial no desenvolvimento dos sistemas regulares de ensino brasileiro.
Errada, pois defende a substituição do processo de escolarização e a lógica da homogeneização, afastando-se da inclusão.
- C)Ocupar exclusivamente do processo de escolarização pela via da homogeneização dos alunos “excepcionais” em espaços escolares ditos “especiais”, que orbitavam à margem do sistema de ensino público e gratuito, integrando os tempos e espaços das escolas regulares, mas ficando a participação circunscrita às “classes especiais”.
Errada, porque descreve um modelo segregador, centrado em espaços especiais e em alunos 'excepcionais', típico da integração antiga.
- D)Ampliar a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino regular, especialmente daqueles grupos sociais historicamente excluídos da escola, como as pessoas com deficiência, através de uma abordagem humanística e democrática, que perceba o sujeito e suas singularidades tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos.
Certa, porque expressa a educação inclusiva como ampliação da participação na escola regular, com respeito às singularidades e foco na inserção social.
Gabarito: D
A educação inclusiva, no Brasil, não trata a escola como um lugar separado para alguns alunos, mas como um espaço comum que deve se adaptar às diferenças reais das pessoas. A ideia central é simples: o problema não está no estudante, e sim nas barreiras que a escola cria ou mantém. Por isso, inclusão envolve acesso, participação, aprendizagem e pertencimento de todos, especialmente daqueles que historicamente ficaram do lado de fora. Esse entendimento aparece com força na Constituição Federal, na LDB e na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que defendem o atendimento educacional especializado sem substituir a matrícula na classe comum. Ou seja: a educação especial deixa de ser um caminho paralelo e passa a apoiar a escolarização regular, com recursos, acessibilidade e estratégias adequadas. É exatamente isso que a alternativa D descreve: ampliar a participação de todos os estudantes na escola regular, com abordagem humanística e democrática, respeitando singularidades e promovendo crescimento, satisfação pessoal e inserção social. Em linguagem de concurso: inclusão não é encaixar o aluno na escola do jeito que ela já funciona, e sim fazer a escola funcionar para todos. As alternativas A, B e C caem na velha lógica da segregação ou da substituição da escolarização comum por espaços separados. Isso é pensamento de integração ou de exclusão disfarçada, não de inclusão. A banca gosta muito dessa diferença: integração aceita o aluno, mas sem mexer tanto na estrutura; inclusão exige transformação da escola.