O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é mais evidente na fase escolar, pois é nesta época que familiares e educadores percebem que a criança não consegue prestar atenção no que é ensinado, determinando dificuldades escolares diversas e, também, distúrbios no seu relacionamento. (Psicopedagogia: um portal para a inserção social. ABPP. Silvia Amaral de Mello Pinto. Coord.) Tendo como referência o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, analise as afirmativas a seguir. I. Um dos fatores envolvidos na origem destes distúrbios é a hereditariedade, atingindo mais meninas e, normalmente, estas crianças apresentam inteligência abaixo da média. II. Em adolescentes, os sintomas de hiperatividade aparecem sob a forma de inquietação interior e, no adulto, se caracteriza por desorganização no local de trabalho. III. Não existem exames complementares que permitam o diagnóstico de certeza deste quadro; portanto, o diagnóstico é essencialmente clínico. Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
- A)I, II e III.
Esta alternativa reúne as três afirmativas, mas a I traz uma caracterização equivocada do TDAH: embora a hereditariedade seja, de fato, um fator importante, o transtorno é mais frequente em meninos do que em meninas e não é definido por inteligência abaixo da média. A II descreve bem a mudança do quadro na adolescência e na vida adulta, e a III também está correta ao afirmar que o diagnóstico é essencialmente clínico. Como o conjunto inclui uma proposição falsa, a opção não se sustenta.
- B)I, apenas.
Aqui se afirma apenas a I, isto é, que o TDAH tem componente hereditário, atinge mais meninas e costuma ocorrer com inteligência abaixo da média. O primeiro ponto está correto, mas os outros dois não: o transtorno é mais prevalente no sexo masculino e não implica, por regra, rebaixamento intelectual. Por isso, não se pode marcar essa alternativa isoladamente.
- C)I e II, apenas.
Esta opção considera corretas a I e a II. A II realmente corresponde à evolução típica do TDAH, pois a hiperatividade tende a aparecer na adolescência como inquietação interna e, no adulto, como desorganização e dificuldade de planejamento no trabalho. Contudo, a I erra ao inverter a maior frequência por sexo e ao associar o transtorno a inteligência abaixo da média, então o par proposto fica comprometido.
- D)II e III, apenas.
A alternativa aponta apenas a II e a III, que são as afirmativas corretas. A II está adequada porque, com o avanço da idade, a hiperatividade costuma se tornar menos motora e mais subjetiva, enquanto no adulto predominam desorganização, impulsividade e dificuldade de manter o desempenho no trabalho. A III também está certa, pois não existe exame complementar que feche diagnóstico de TDAH com certeza; ele é feito clinicamente, com base em critérios e na história do paciente.
Gabarito: D
O TDAH costuma ficar mais visível na fase escolar porque a escola exige atenção sustentada, organização e controle do comportamento por períodos maiores. Aí aparecem com mais clareza a desatenção, a inquietação e a impulsividade, e isso pode afetar tanto o rendimento quanto as relações com colegas e professores. Na prática, o diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, feito a partir da história de vida, observação dos sintomas e impacto funcional em diferentes contextos. Não existe exame de sangue, tomografia ou teste isolado que feche o diagnóstico com certeza. Exames complementares podem ser pedidos apenas para descartar outras hipóteses, não para confirmar o transtorno. A afirmativa I está errada porque o TDAH não atinge mais meninas de forma geral, e também não se associa obrigatoriamente a inteligência abaixo da média. A dificuldade está na atenção e na autorregulação, não na capacidade intelectual em si. Já as afirmativas II e III estão corretas: em adolescentes, a hiperatividade pode virar uma inquietação interna, menos visível externamente, e no adulto pode aparecer como desorganização, dificuldade de planejamento e de manutenção da rotina. Por isso, o gabarito é a letra D. É aquela clássica pegadinha de concurso: confundir sintomas com falta de inteligência ou achar que existe exame decisivo para diagnosticar TDAH.