(...) a criança, a infância e a família foram entendidas de maneiras diferentes no decorrer dos tempos e sua significação pode mudar, ainda hoje, de acordo com a metodologia que fundamenta sua análise, modificando seu conceito conforme o olhar que recebe, seja ele histórico, sociológico, antropológico, filosófico ou psicológico. (Ariès, 2006, p. 19.) Em relação à criança, infância e família, é INCORRETO afirmar que:
- A)Até o século XVII, não existia uma concepção de especificidade da infância.
Está correta, porque até o século XVII não havia uma noção consolidada de infância como fase com especificidade própria.
- B)Por muitos séculos, na cultura ocidental, as crianças eram tratadas como adultos.
Está correta, pois por muitos séculos a criança foi socialmente tratada como um adulto em miniatura, sem distinção clara de fase de vida.
- C)A partir de meados do século XVII, a criança assumiu lugar central dentro da família ocidental; neste contexto, houve o surgimento da escola.
Está correta, já que a partir de meados do século XVII a criança passa a ocupar lugar mais central na família ocidental e a escola ganha importância nesse processo.
- D)O modelo de família nuclear e patriarcal tornou-se, ao longo da nossa história, sinônimo de honra e responsabilidade, modelo a ser seguido exclusivamente pelas elites.
Está errada, porque o modelo de família nuclear e patriarcal não foi exclusivo das elites nem pode ser reduzido a esse grupo social.
Gabarito: D
A questão retoma uma ideia clássica de Philippe Ariès: a infância não foi sempre vista como uma fase própria, com necessidades e cuidados específicos. Em muitos períodos da história ocidental, especialmente antes da consolidação da modernidade, a criança era incorporada muito cedo ao universo adulto, tanto nas tarefas quanto nos costumes. Isso ajuda a entender por que as alternativas A e B fazem sentido dentro dessa leitura histórica. A partir dos séculos XVII e XVIII, começa a ganhar força uma mudança importante: a criança passa a ser percebida como alguém que precisa de proteção, formação e disciplina, e a família assume papel mais central nesse processo. Nesse cenário, a escolarização se expande como espaço de preparação para a vida social, o que torna a alternativa C coerente com essa transformação histórica. O erro da letra D está em generalizar demais. O modelo de família nuclear e patriarcal não foi sinônimo de honra e responsabilidade exclusivamente das elites. Ele se consolidou como ideal social em processos históricos mais amplos, influenciando diferentes camadas da sociedade, ainda que de modos distintos. Portanto, a afirmação restringe indevidamente esse modelo às elites e, por isso, fica incorreta. Em resumo: a banca quer que você enxergue a evolução histórica dos conceitos de infância e família, e não caia na armadilha de tratar um modelo social como se fosse universal, fixo e exclusivo de um grupo.