O brincar é uma atividade humana criadora, na qual imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação, de expressão e de ação pelas crianças, assim como de novas formas de construir relações sociais com outros sujeitos, crianças e adultos. Tal concepção:
- A)Indica que o brinquedo adquire valor real enquanto objeto da brincadeira, que só terá sentido no tempo de duração da brincadeira e para quem estiver participando dela.
Errada, porque reduz o brinquedo ao seu uso imediato na brincadeira, sem captar a dimensão criadora, simbólica e social mais ampla do brincar.
- B)Indica que o jogo, o brinquedo e as brincadeiras proporcionam para a criança aprendizagens, que lhes permitem construir as relações sociais que serão aplicadas nos momentos de diversão.
Errada, porque trata a brincadeira quase só como ferramenta de aprendizagem para aplicar relações sociais, o que é limitado demais para a concepção apresentada.
- C)Se aproxima da visão predominante da brincadeira com atividade restrita à assimilação de códigos e papéis sociais e culturais, cuja função principal seria facilitar o processo de socialização da criança e sua integração à sociedade.
Errada, porque descreve uma visão mais tradicional, em que a brincadeira serve principalmente para assimilar códigos sociais, e não para reinterpretar e criar novos significados.
- D)Compreende que, se por um lado a criança de fato reproduz e representa o mundo por meio das situações criadas nas atividades de brincadeiras, por outro lado tal reprodução não se faz passivamente, mas mediante um processo ativo de reinterpretarão do mundo, que abre lugar para a invenção e a produção de novos significados, saberes e práticas.
Certa, porque expressa que a criança reprisa a realidade de forma ativa, reinventando-a e produzindo novos sentidos, e não apenas copiando papéis sociais.
Gabarito: D
Na Educação Infantil, brincar não é “passatempo” nem simples recreação. O brincar é uma linguagem da criança: é quando ela mistura imaginação, experiência, fantasia e realidade para testar hipóteses, criar significados e se relacionar com o mundo. Por isso, o jogo e a brincadeira têm valor pedagógico e também valor cultural e social, mas sem virar uma cópia mecânica da vida adulta. A ideia central do enunciado vem de uma visão bem próxima da teoria histórico-cultural, muito associada a Vygotsky e à leitura de autores como Kishimoto e Brougère: a criança brinca reproduzindo elementos da realidade, mas faz isso de modo ativo, inventando, reinterpretando e transformando o que vive. Ou seja, ela não “imita por imitar”; ela recria. É exatamente isso que a alternativa D descreve. Ela mostra duas coisas ao mesmo tempo: de um lado, a criança representa o mundo nas brincadeiras; de outro, ela não fica presa a uma reprodução passiva, porque inventa novos sentidos, saberes e práticas. Essa combinação de reprodução e criação é a cara do brincar na Educação Infantil. Já as alternativas que falam em socialização, aprendizado de papéis ou uso do brinquedo como objeto da brincadeira acabam ficando mais restritas ou simplificadas demais. Na perspectiva correta, brincar não serve apenas para treinar comportamentos sociais, mas para ampliar possibilidades de expressão, interação e construção de conhecimento.