Nas crianças que sofrem de discalculia, a capacidade de adquirir as habilidades matemáticas está seriamente prejudicada. (Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. Ramon M. Cosenza, Leonor B. Guerra.) Sobre a discalculia, é INCORRETO afirmar que:
- A)Pode vir acompanhada de outros transtornos, como o déficit de atenção e hiperatividade.
Certa, porque a discalculia pode coexistir com outros transtornos, como o TDAH.
- B)Para as crianças com discalculia, a matemática e seus conceitos são como uma língua estrangeira desconhecida.
Certa, pois para a criança com discalculia os conceitos matemáticos podem parecer tão estranhos quanto uma língua desconhecida.
- C)Há necessidade de uma avaliação neuropsicológica para o diagnóstico e orientação quanto às intervenções adequadas.
Certa, já que a avaliação neuropsicológica é importante para diagnóstico e para orientar intervenções.
- D)Para as crianças com discalculia, as situações que envolvem matemática se tornam um problema somente na escola devido à formalização do conhecimento.
Errada, porque a discalculia não se limita ao contexto escolar e pode afetar situações do cotidiano que envolvem números e quantidades.
Gabarito: D
A discalculia é um transtorno específico de aprendizagem que afeta a compreensão e o uso dos números, o raciocínio matemático e o manejo de operações básicas. Não é falta de esforço, nem sinal de que a criança “não gosta de matemática”: trata-se de uma dificuldade neurodesenvolvimental que pode exigir estratégias pedagógicas e, muitas vezes, avaliação especializada. Ela pode aparecer junto com outros transtornos, como TDAH, dislexia e dificuldades de linguagem, o que é bastante comum na prática clínica e escolar. Por isso, a avaliação neuropsicológica ajuda a diferenciar a discalculia de outras causas de baixo desempenho e a orientar intervenções mais adequadas, como ensino mais concreto, passo a passo e com apoio visual. O erro da alternativa D está em reduzir o problema à escola. As dificuldades da discalculia não surgem apenas porque a matemática foi formalizada na sala de aula; elas decorrem de uma alteração na aquisição das habilidades matemáticas, podendo aparecer em diferentes contextos do cotidiano, como lidar com dinheiro, tempo, medidas e quantidades. Então, não é um problema “só escolar”, embora fique muito evidente na escola. Em resumo: a discalculia não é preguiça, nem simples bloqueio com contas. É uma dificuldade real e persistente, que pede identificação correta e intervenção adequada. A banca explora justamente essa ideia de que o transtorno extrapola o ambiente escolar e afeta a relação da criança com números em várias situações da vida.