Em uma turma do 2º ano do Ensino Fundamental, a professora desenvolveu um trabalho com a temática “Jogos, brinquedos e brincadeiras indígenas”. O tema surgiu de perguntas da turma em uma roda de conversa, após uma atividade relacionada à identidade, em que cada criança pesquisou a origem de seu próprio nome e do nome de seus familiares. Após esse primeiro momento, a professora organizou com as crianças uma lista de perguntas, curiosidades e saberes sobre o tema. De acordo com Maldonado (2020, p. 182), ao tematizar os jogos e as brincadeiras de matriz indígena, existe a possibilidade de “outras vivências e debates com as crianças e, por consequência, a valorização da cultura dos povos originários durante as aulas de Educação Física”. Como exemplo, pode ser citada a leitura do livro infantil Kaba Darebu, escrito por Daniel Munduruku, que descreve várias características do povo indígena (alimentos, brincadeiras), tendo em vista as particularidades culturais de cada povo. MALDONADO, D. T. Valorização da cultura negra, afro-brasileira e indígena nas aulas de Educação Física: por uma educação antirracista. In: Professores e professoras de Educação Física progressistas do mundo, uni-vos! Curitiba: CRV, 2020. v. 41, cap. 7, p.167-202. Dentre as experiências pedagógicas apresentadas por Maldonado, outra possibilidade de recurso didático a ser utilizado no trabalho com essa turma é a
- A)construção de peteca com materiais alternativos e a brincadeira “Curupira”, que faz parte da infância na etnia Tikuna e é parecida com a “Cabra-cega”.
Certa, porque apresenta uma brincadeira e um fazer pedagógico vinculados a um povo indígena específico, em sintonia com a valorização das culturas originárias.
- B)realização do jogo “Escravos de Jó”, de forma ordenada, organizada, sincronizada e ritmada numa sequência de copos.
Errada, porque “Escravos de Jó” é uma brincadeira popular de circulação ampla, sem relação com jogos e brincadeiras indígenas.
- C)realização de oficinas de jogos e brincadeiras de uma comunidade quilombola, ministrada por moradoras convidadas.
Errada, porque aborda cultura quilombola, que é outro conteúdo relevante, mas não responde ao tema indígena pedido no enunciado.
- D)contação de histórias dos quilombolas no Brasil, sobre a luta para manter as terras, as vestimentas, plantas medicinais, alimentos típicos e as brincadeiras que as crianças realizam.
Errada, porque também trata de quilombolas e da cultura afro-brasileira, fugindo do recorte sobre povos indígenas.
Gabarito: A
A questão trabalha a valorização das culturas indígenas no contexto escolar, algo coerente com a Lei 11.645/2008, que tornou obrigatório o अध्ययन? better Portuguese. Let's write in Portuguese. A Lei 11.645/2008 alterou a LDB para incluir a temática história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo. Na prática, isso pede atividades que não tratem os povos originários como “folclore”, mas como sujeitos de cultura viva, com brincadeiras, histórias, saberes e modos próprios de viver. No texto, a professora parte do interesse real da turma, organiza perguntas e curiosidades, e busca um recurso pedagógico que aproxime as crianças da diversidade indígena de forma respeitosa. Isso combina com a ideia de educação antirracista destacada por Maldonado: ensinar brincadeiras indígenas é também combater estereótipos e ampliar repertórios culturais. O gabarito é a alternativa A porque ela traz uma prática ligada diretamente a um povo indígena específico, com construção de peteca com materiais alternativos e a brincadeira Curupira, associada à infância Tikuna. Ou seja, não é um conteúdo genérico sobre “índio”, mas uma vivência concreta, situada e culturalmente contextualizada. É exatamente esse tipo de recurso que valoriza a diversidade dos povos originários. As demais opções se afastam do tema: uma traz uma brincadeira popular sem recorte indígena, e as outras tratam de quilombolas, que também são tema importantíssimo, mas não correspondem ao foco da pergunta.