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Pedagogia · Colégio Pedro II · 2022

Questão comentada de Pedagogia

Djamila Ribeiro, em seu livro Pequeno manual antirracista (2019, p. 21), afirma que “devemos aprender com a história do feminismo negro, que nos ensina a importância de nomear as opressões, já que não podemos combater o que não tem nome. Dessa forma, reconhecer o racismo é a melhor forma de combatê-lo”. RIBEIRO, D. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. Nesse esforço, Silva (2021, p. 112), entre outras frentes de investigação, analisa a rotina de algumas disciplinas numa universidade federal do Rio de Janeiro em que circularam inúmeros discursos sobre o racismo, dentre os quais destacamos a seguinte situação: Em uma das disciplinas pude observar durante todo o período a forma como um dos estudantes era tratado. Era um estudante negro que era chamado por todos/as de “Negueba”. “Fala aí, Negueba”, “Só podia ser o Negueba”. O tal apelido era utilizado por todos/as os/as colegas e algumas vezes o estudante parecia demonstrar um certo incômodo, no entanto, não reclamava e nem reivindicava pelo uso do nome correto. “Negueba”, “Negão”, “Tiziu”, “Carvão” eram formas naturalizadas de uso de raça com viés derrogatório. SILVA, R. C. O. Formação de professores/as e racismo: discussões a partir da decolonialidade. In: RIBEIRO, W. G.; SILVA, R. C. O.; DESTRO, D. S. (Org.) Educação Física e diferença: perspectivas e diálogos. Curitiba: CRV, 2021. Cap. 5, p.101-124. A situação relatada por Silva (2021) associa-se à concepção de racismo

Gabarito: B

A questão descreve um caso em que a violência racial aparece disfarçada de brincadeira, apelido e “normalidade” do convívio. Isso é típico do racismo recreativo, conceito desenvolvido por Adilson Moreira para mostrar como piadas, apelidos e gozações aparentemente inocentes podem reforçar hierarquias raciais e produzir humilhação. O ponto central é que o ofensivo é tratado como se fosse divertido, o que dificulta a reação da vítima e ainda tenta vender a agressão como “mimimi”. No exemplo, o estudante negro é chamado repetidamente por apelidos como “Negueba”, “Negão”, “Tiziu” e “Carvão”, usados de modo naturalizado pelos colegas. Não há ali uma política institucional específica nem apenas um preconceito isolado de um indivíduo: há uma dinâmica social de desqualificação racial travestida de informalidade e humor. É exatamente esse tipo de mecanismo que o racismo recreativo nomeia. O nome importa, como lembra Djamila Ribeiro, porque ajuda a enxergar a opressão sem maquiagem. Quando você identifica que a “brincadeira” tem alvo racial, fica mais fácil perceber que o problema não é sensibilidade excessiva de alguém, mas uma forma concreta de violência simbólica. Por isso, o gabarito é a letra B. Se quiser guardar em uma frase: racismo recreativo é o racismo que ri para não parecer racismo, mas continua machucando do mesmo jeito.

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