Sobre conceitos e concepções de criança e de infância, podemos afirmar que:
- A)O conceito de criança pura e inocente é universal. Assim, as devem ser educadas de forma diferenciada, pois necessitam ser protegidas dos malefícios do mundo adulto. Assim, não importa o momento e tempo sócio-histórico em que se vive, é preciso cuidar e educar as crianças da mesma forma, com sabedoria e sensibilidade;
Errada, porque a ideia de criança pura e inocente não é universal nem autoriza um modo único de educar em qualquer tempo histórico.
- B)Para Ariès (1981), na Idade Média, já se conhecia o universo infantil e as especificidades infantis eram consideradas na educação e na escola. As crianças eram vistas como seres de direitos e, desse modo, os pais e os professores estudavam sobre a infância para poder educar de forma apropriada as crianças, com o cuidado de preservá-las da promiscuidade do mundo adulto;
Errada, porque Ariès sustenta justamente que a infância não era reconhecida na Idade Média como hoje, e não que já havia essa valorização.
- C)Para Rousseau (1999), as especificidades das crianças não deveriam ser respeitadas, já que suas formas de viver, pensar, sentir e de interagir com o mundo físico e social seriam inconsistentes, não devendo ser levadas em conta no processo educativo. A infância significaria um período de preparação para a vida adulta;
Errada, porque Rousseau defendia o respeito à natureza e ao ritmo próprios da criança, e não a negação de suas especificidades.
- D)Para Froebel (2001), em sua filosofia espiritualista e seu ideal político de liberdade, as crianças seriam como sementes que, se adubadas e expostas a condições favoráveis adequadamente, desabrochariam sua divindade interior em um clima de amor, para aprenderem sobre si e sobre o mundo físico e social;
Certa, porque Froebel valorizou a criança como ser em desenvolvimento, que floresce com afeto, liberdade, atividade e გარემo favorável.
- E)Para Piaget (2001), numa perspectiva interacionista, a criança seria um ser ativo em seu meio circundante, capaz de interagir e resolver problemas, pois é sujeito epistêmico. Mas, isso só seria possível a partir do ensino direto e sistemático dos/as professores/as que necessitariam planejar muito bem as suas aulas para que as crianças assimilem tudo com de forma adequada.
Errada, porque Piaget destaca a criança como sujeito ativo na construção do conhecimento, e não como alguém que aprende apenas por ensino direto e sistemático.
Gabarito: D
A ideia de criança e de infância mudou muito ao longo da história. Hoje, a criança não é vista como um adulto em miniatura, mas como sujeito de direitos, com formas próprias de pensar, sentir e aprender. Isso aparece tanto na doutrina da Educação Infantil quanto na Constituição Federal de 1988 e no ECA, que reforçam a proteção integral e o respeito ao desenvolvimento da criança. Na teoria da infância, um autor muito lembrado é Philippe Ariès, que mostrou que a infância nem sempre foi reconhecida como uma fase com valor próprio. Já Rousseau defendeu que a criança tem natureza e ritmo próprios, e que a educação deve respeitar seu desenvolvimento. Froebel, por sua vez, foi pioneiro ao valorizar o brincar, a atividade espontânea e o ambiente afetivo na formação infantil. É exatamente aí que a alternativa D acerta. Froebel via a criança como uma semente que precisa de cuidado, estímulo e condições favoráveis para se desenvolver plenamente. A imagem é muito usada na pedagogia froebeliana porque reforça a ideia de crescimento natural, amor, liberdade e contato com o mundo, sem tratar a criança como algo a ser moldado de forma mecânica. As demais alternativas erram ao distorcer esses autores ou ao defender uma visão antiga e uniforme de infância. Em concurso, a banca costuma cobrar justamente essa diferença entre visões históricas da criança: de objeto de tutela para sujeito de direitos e de aprendizagem ativa.