Sobre a brincadeira de faz de conta,
- A)Segundo Kishimoto (2010), no livro intitulado Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação, a brincadeira do faz de conta pode ser chamada de: jogo imaginativo, jogo de faz de conta, jogo de papeis ou jogo sócio dramático. Para ela, nesse tipo de brincadeira as crianças simulam situações e histórias, o que as retira da realidade e as torna menos aptas a aprenderem sobre o mundo físico e social. Por isso, o ideal são as brincadeiras dirigidas pelos/as professores/as;
Errada, porque Kishimoto não defende que o faz de conta afaste a criança da realidade nem que brincadeiras dirigidas sejam sempre o ideal; ao contrário, ela valoriza a brincadeira como forma de aprendizagem e expressão.
- B)Para Piaget, a criança assimila o mundo de forma real quando brinca, ou seja, na brincadeira ela compromete-se com a realidade, prestando atenção às funções que os objetos tem nela, e sua interação com os objetos do mundo depende da natureza do objeto e não da função que a criança lhe atribui;
Errada, porque em Piaget a brincadeira simbólica envolve assimilação e atribuição de significados pela criança, não uma interação presa apenas à função real dos objetos.
- C)Freud, no texto O poeta e a Fantasia, diz que "cada criança em suas brincadeiras se comporta como um poeta, enquanto cria seu mundo próprio ou, dizendo melhor, enquanto transpõe os elementos formadores de seu mundo para uma nova ordem, mais agradável e conveniente para ela";
Certa, pois recupera a ideia freudiana de que a criança, ao brincar, reorganiza elementos do seu mundo em uma nova ordem, como um pequeno poeta.
- D)Segundo Kishimoto (2010), no livro intitulado Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação, a brincadeira de faz de conta implica na aprendizagem pelas crianças dos significados dos objetos da realidade, a exemplo de quando ela manipula objetos e extrai as propriedades desses objetos, percebendo suas forma, cheiros, texturas e seus usos;
Errada, porque descreve mais a exploração sensorial e funcional dos objetos, o que não caracteriza o faz de conta, mas brincadeiras de exploração e manipulação.
- E)Vygotsky dá ênfase à ação e ao significado do brincar porque quando brinca de faz de conta, a criança começa a conhecer as propriedades dos objetos do mundo, percebendo suas formas, texturas, cheiros, sons, ou seja, ela aprende a usar os objetos como eles realmente são. Na aprendizagem formal isso também seria possível.
Errada, porque atribui a Vygotsky uma visão centrada nas propriedades reais dos objetos, quando sua ênfase está no significado, na imaginação e na separação entre sentido e objeto no brincar.
Gabarito: C
A brincadeira de faz de conta é aquela em que a criança inventa papéis, cenas e significados, como quando um bloco vira telefone ou uma caixa vira carro. Ela não está só repetindo o mundo: está recriando a realidade, testando regras, desejos e papéis sociais de um jeito simbólico e cheio de imaginação. Isso é muito importante na Educação Infantil porque desenvolve linguagem, pensamento, socialização e autorregulação. Na teoria de Freud, a brincadeira se aproxima da criação artística: a criança, ao brincar, organiza elementos do seu mundo em uma nova ordem, mais agradável e adequada aos seus desejos. É exatamente essa ideia que aparece na alternativa C, com a citação de O poeta e a fantasia. Ou seja, a criança brinca como quem inventa um pequeno mundo próprio, sem abandonar a realidade, mas transformando-a simbolicamente. As demais alternativas distorcem as teorias. Kishimoto valoriza a brincadeira de faz de conta como forma de aprendizagem e expressão cultural, e não como algo que afasta a criança da realidade. Piaget relaciona o brincar simbólico à assimilação, em que a criança atribui significados aos objetos, e não apenas às funções reais deles. Já Vygotsky destaca que, no faz de conta, a criança age em planos de significado e imaginação, e não apenas aprende a usar os objetos como eles são na vida prática. Em resumo: no faz de conta, a criança não foge do mundo, ela entra nele de outro jeito. E é por isso que a banca cobrou a leitura correta da ideia freudiana, que aparece de forma bem clássica na alternativa C.