Garantida pela Constituição como um direito do aluno, a EJA deve propiciar a qualidade do processo de ensino e aprendizagem; desse modo, o currículo deve ser pensado e planejado de forma a possibilitar o acesso e a permanência do aluno, o que implica necessariamente o desenvolvimento de práticas pedagógicas que:
- A)reconstruam a visão de mundo e modifiquem a forma de agir e pensar dos alunos, sem levar em conta suas vivências e aprendizagens anteriores
Errada, porque desconsidera as vivências e aprendizagens anteriores do aluno, exatamente o contrário do que a EJA exige.
- B)valorizem as experiências e os conhecimentos prévios dos alunos e considerem o vínculo entre educação, trabalho e práticas sociais e culturais.
Certa, pois valoriza a experiência do estudante e relaciona a educação com trabalho, práticas sociais e culturais, como orientam a EJA e suas diretrizes.
- C)caminhem ao encontro de uma educação tecnicista e tradicional.
Errada, porque a EJA não deve ser tecnicista nem tradicional de forma rígida, mas contextualizada e significativa.
- D)possibilitem a alfabetização dos alunos em um viés socialista, em prol do crescimento do socialismo soviético.
Errada, porque traz um viés ideológico totalmente inadequado e sem relação com os princípios legais e pedagógicos da EJA.
- E)preparem os alunos para o mercado de trabalho, para exercerem o seu papel na sociedade de classes, sem levar em conta os fatores sociais, econômicos, culturais e políticos ao seu redor.
Errada, porque reduz a formação ao mercado de trabalho e ignora os fatores sociais, econômicos, culturais e políticos que estruturam a aprendizagem.
Gabarito: B
A EJA, ou Educação de Jovens e Adultos, existe para garantir o direito de quem não concluiu a escolarização na idade regular. Por isso, ela não pode ser tratada como uma versão “encurtada” da escola tradicional: precisa respeitar a trajetória de vida do estudante, sua experiência de trabalho, sua cultura e seus conhecimentos já construídos fora da sala de aula. Na prática, isso muda tudo no currículo e na pedagogia. Em vez de começar do zero como se o aluno fosse uma folha em branco, o professor deve partir do que ele já sabe e do que vive no cotidiano. É justamente essa lógica que favorece acesso, permanência e aprendizagem com sentido, algo muito alinhado às Diretrizes Curriculares Nacionais para a EJA e ao direito à educação previsto na Constituição Federal de 1988 e na LDB. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela traduz a ideia central da EJA: valorizar as experiências e os conhecimentos prévios dos alunos e relacionar a educação com o trabalho e com as práticas sociais e culturais. Faz todo sentido, porque o adulto e o jovem da EJA aprendem melhor quando percebem utilidade, contexto e conexão com sua realidade. As demais alternativas caem em armadilhas clássicas: negam a bagagem do aluno, empurram modelos tecnicistas ou ideológicos, ou tratam a formação como mera adaptação ao mercado. Na EJA, o foco é formação humana, inclusão e aprendizagem significativa, não uma escola que finge que a vida do estudante não existe.