Acerca do desenvolvimento de conhecimentos científicos e das estratégias adequadas de aprendizagem na EJA, assinale a opção correta.
- A)O diagnóstico histórico-econômico do grupo de estudantes da EJA é desnecessário, dada a impossibilidade de se estabelecer uma relação entre teoria (saber curricular) e prática (saber popular).
Errada, porque na EJA o diagnóstico da realidade histórica e econômica do grupo é importante justamente para relacionar teoria e prática com os saberes dos estudantes.
- B)O currículo escolar na EJA não se limita a uma mera lista de conteúdos, mas a um conjunto de processos voltados para o pensar, o agir e o sentir dos estudantes.
Certa, porque o currículo da EJA vai além de conteúdos e envolve processos de formação voltados ao pensar, ao agir e ao sentir dos educandos.
- C)Os conhecimentos e as habilidades que os estudantes adquiram por meios informais não são válidos em sala de aula.
Errada, porque os conhecimentos adquiridos informalmente pelos estudantes são válidos e devem ser valorizados como ponto de partida para a aprendizagem.
- D)Os educandos de EJA são receptores passivos dos conteúdos, devido ao longo período que ficaram fora do processo de escolarização.
Errada, porque o estudante da EJA não é receptor passivo: ele participa ativamente, trazendo experiências e saberes para a sala de aula.
- E)A utilização exclusiva de materiais didáticos e métodos tradicionais de ensino garante a permanência dos estudantes da EJA na escola e a continuidade de seu desenvolvimento cognitivo.
Errada, porque material tradicional e método exclusivo não garantem permanência nem desenvolvimento; a EJA exige estratégias flexíveis, dialógicas e significativas.
Gabarito: B
Na EJA, voce não está diante de uma sala "infantilizada" em versão adulta, mas de estudantes com histórias, saberes e experiências acumuladas. Por isso, o ensino precisa partir da realidade concreta do grupo, valorizando o que eles já sabem e conectando isso aos conteúdos escolares. Em outras palavras: o currículo na EJA não pode ser uma lista engessada de assuntos para decorar. A ideia central é que aprender, na EJA, envolve pensar, agir e sentir. Isso combina com uma visão mais ampla de currículo, que considera processos, contextos e vivências do estudante, e não apenas conteúdo solto. Essa abordagem dialoga com autores como Paulo Freire, para quem a educação precisa reconhecer a experiência de vida do educando e promover aprendizagem significativa e crítica. É justamente por isso que a alternativa B está correta: ela descreve o currículo da EJA como um conjunto de processos formativos, e não como uma simples coleção de tópicos. Na prática, isso favorece estratégias que valorizem diálogo, problematização, articulação entre saber popular e saber científico e respeito ao ritmo de aprendizagem do adulto. As demais alternativas erram ao negar a experiência do estudante ou ao tratar o educando da EJA como passivo. Na EJA, o aluno não chega vazio nem desligado da realidade; ele traz repertório e precisa ser reconhecido como sujeito ativo do processo educativo.