Em relação às vertentes de abordagem sociocrítica para gestão e organização da escola, assinale a opção correta.
- A)Nessa abordagem, a escola é colocada no centro das políticas públicas, de modo que a iniciativa de planejar, organizar e avaliar os serviços educacionais é destinada às comunidades e às escolas, tornando-se o Estado isento de boa parte das suas responsabilidades.
Errada, porque transfere ao máximo a responsabilidade para comunidades e escolas, reduzindo o papel do Estado, o que não combina com a visão sociocrítica.
- B)Na abordagem sociocrítica, o papel da escola é promover a compreensão da realidade para que seja possível transformála, com o propósito de construir novas relações sociais e eliminar mazelas sociais.
Certa, porque expressa a função crítica da escola de compreender a realidade e contribuir para sua transformação social.
- C)A estrutura da abordagem sociocrítica está centrada na prescrição detalhada de funções e tarefas por meio de normas e procedimentos administrativos e tem como objetivo a racionalização do trabalho e a eficiência dos serviços escolares.
Errada, pois descreve uma organização burocrática e tecnicista, baseada em normas, controle e eficiência, e não uma abordagem sociocrítica.
- D)A abordagem sociocrítica oferece uma visão transformadora da escola, pois é possível presumir a desvinculação entre trabalho escolar e lutas sociais pela democratização da sociedade.
Errada, porque a abordagem sociocrítica justamente liga a escola às lutas sociais pela democratização, não a desvincula delas.
- E)Uma derivação dessa abordagem é o currículo por competências, no qual a organização curricular resulta de objetivos assentados em habilidades e destrezas a serem dominadas pelos alunos no percurso de formação.
Errada, porque currículo por competências é associado a uma lógica mais instrumental e de desempenho, não ao núcleo da abordagem sociocrítica.
Gabarito: B
A abordagem sociocrítica, na gestão e organização da escola, enxerga a instituição como um espaço ligado à realidade social e às contradições da sociedade. A ideia central nao é só administrar bem a escola, mas compreender o contexto em que ela vive para poder transformá-lo. Em outras palavras: a escola não fica “fechada no mundinho dela”, porque educação e sociedade caminham juntas. Nessa perspectiva, a organização escolar deve favorecer a participação, a reflexão crítica e a construção coletiva do projeto pedagógico. Isso aparece em autores como Libâneo e também dialoga com a pedagogia histórico-crítica de Saviani, que defende a escola como mediação para a compreensão da prática social e para a transformação da realidade. Por isso, o item B está correto: ele afirma que o papel da escola é promover a compreensão da realidade para torná-la passível de transformação, com vistas a construir novas relações sociais e enfrentar as desigualdades. É exatamente a lógica sociocrítica: entender para transformar, e não apenas adaptar o aluno ao que já existe. As demais alternativas tentam puxar a escola para modelos mais tecnicistas, gerencialistas ou descolados da luta social. Em prova, quando aparecer gestão escolar com “transformação social”, “participação” e “crítica à realidade”, acenda a luz da abordagem sociocrítica.