A educação especial na perspectiva da educação inclusiva direciona-se, também, a estudantes com transtornos globais do desenvolvimento, um tema contemporâneo transversal intimamente relacionado à educação. Nesse contexto, o transtorno do neurodesenvolvimento que se manifesta frequentemente muito cedo (antes de a criança ingressar na escola, por exemplo) e é diagnosticado quando os déficits característicos de comunicação social são acompanhados por comportamentos excessivamente repetitivos, interesses restritos e insistência nas mesmas coisas é o
- A)transtorno do espectro autista.
Correta, porque descreve o transtorno do espectro autista, com déficits de comunicação social e comportamentos repetitivos e restritos.
- B)transtorno obsessivo-compulsivo.
Errada, porque o transtorno obsessivo-compulsivo envolve obsessões e compulsões, não esse padrão global de comunicação social e repetição desde a primeira infância.
- C)transtorno disruptivo da desregulação do humor.
Errada, porque o transtorno disruptivo da desregulação do humor se relaciona a irritabilidade grave e explosões de raiva, não aos sinais descritos.
- D)transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.
Errada, porque o TDAH tem como eixo principal desatenção e hiperatividade/impulsividade, sem esse perfil de prejuízo social e interesses restritos.
- E)transtorno opositivo desafiador.
Errada, porque o transtorno opositivo desafiador é marcado por comportamento desobediente e desafiador, não por alterações nucleares de comunicação social.
Gabarito: A
A questão trata do transtorno do neurodesenvolvimento que aparece cedo na infância e afeta, principalmente, a comunicação social e o comportamento. Quando o enunciado fala em déficits de comunicação social acompanhados de comportamentos repetitivos, interesses restritos e insistência em rotinas, ele está descrevendo o quadro típico do transtorno do espectro autista, o TEA. Ou seja, não é algo “de mau comportamento” ou de “falta de limites”, mas um condição do desenvolvimento que pode trazer necessidades específicas de apoio na escola. Na educação inclusiva, o estudante com TEA deve ter acesso, participação e aprendizagem com os apoios necessários. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva reforçam esse direito, assim como as normas educacionais que orientam o atendimento educacional especializado quando preciso. Na prática, a escola precisa olhar para a singularidade do estudante, e não tentar encaixá-lo à força em um modelo único. O gabarito é a letra A porque o enunciado reúne exatamente os sinais centrais do espectro autista: prejuízos na interação e comunicação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento. Esse é o retrato mais clássico do TEA, reconhecido nos manuais diagnósticos atuais, como o DSM-5-TR. As demais alternativas descrevem outros transtornos, mas não esse conjunto específico de sintomas. Em prova, CESPE gosta de trocar nomes parecidos e misturar transtornos de comportamento, humor e atenção para ver se você cai na armadilha do “parece, mas não é”.